Os cerca de 27 milhões de eleitores do Peru vão às urnas neste domingo, 7 de outubro, para eleger o nono presidente em dez anos de crise política. Desde 2016, o país vive um cenário conturbado, com dois presidentes renunciando e seis sendo destituídos pelo poderoso parlamento peruano, considerado o verdadeiro poder no país.
No 2º turno, enfrentam-se a direitista Keiko Fujimori, que obteve 17,1% dos votos no 1º turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que fechou a primeira votação com 12,0% dos votos. Apesar da vantagem inicial de Fujimori, analistas apontam para um cenário de incerteza no resultado da eleição presidencial.
Polarização e Legado
O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destacou que a presença de Fujimori cria uma polarização na eleição peruana. Segundo ele, a polarização está ligada às últimas décadas, e novos votos anti-Fujimori podem surgir, com Sánchez representando o legado do anti-fujimorismo, que é uma força política significativa.
Keiko, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, herda tanto o apoio quanto a rejeição ao antigo presidente. Por outro lado, Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, prometeu reformas constitucionais e sociais para ampliar direitos, buscando representar a população rural e indígena.
Contexto Político
A eleição deste domingo é mais um capítulo na história política do Peru, que teve Pedro Castillo destituído e condenado por tentativa de golpe. Castillo, que venceu a eleição de 2021 contra Keiko, foi preso após tentar dissolver o Parlamento, sendo visto por seus apoiadores como vítima do poder legislativo.
O último presidente que cumpriu mandato foi Ollanta Humala (2011-2016), cujo governo foi marcado por escândalos de corrupção. Em 2025, Dina Boluarte, que assumiu após a destituição de Castillo, enfrentou manifestações violentas, resultando em 49 mortes, e foi destituída em 10 de outubro de 2025.
Opinião
A eleição no Peru reflete não apenas a luta pelo poder, mas também as profundas divisões sociais e políticas que marcam o país, exigindo um novo líder capaz de unir a nação em tempos de crise.





