A Azul anunciou que poderá reduzir a quantidade de voos domésticos nos próximos meses devido à forte alta do combustível de aviação, provocada pela guerra no Irã e pelos bloqueios no estreito de Ormuz. A informação foi divulgada pela Reuters.
O presidente da companhia, John Rodgerson, afirmou que a empresa já vinha cortando algumas operações acreditando que o conflito seria breve, mas, com a continuidade da crise, novos ajustes serão necessários para preservar o caixa e evitar prejuízos maiores.
Rodgerson admitiu: “Quando fizemos nossos cortes iniciais, pensamos que a guerra já teria terminado. Mas a guerra continua, então vamos continuar a cortar algumas frequências de forma oportunista, certificando-nos de que estamos voando apenas onde faz sentido”.
Estratégia de Cortes
A prioridade da Azul é cortar frequências de rotas menos rentáveis antes de eliminar destinos inteiros, o que pode impactar a oferta de passagens e contribuir para tarifas mais altas no setor aéreo. Até agora, os cortes atingiram principalmente voos internacionais, mas a tendência é que as próximas reduções ocorram em rotas domésticas com muitas frequências diárias.
Rodgerson exemplificou: “Você voa para Curitiba seis vezes por dia? Talvez, com esses preços de combustível, devessem ser quatro”.
Impacto no Setor Aéreo
O aumento do combustível ocorre em um momento delicado para o setor aéreo. Segundo Rodgerson, as companhias não conseguem repassar integralmente os custos aos passageiros, o que reduz a rentabilidade das empresas. Recentemente, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras a partir de junho, representando um desconto de R$ 0,93 por litro em relação ao valor praticado no mês anterior.
Apesar da queda, o combustível ainda acumula alta de 54,5% ao longo de 2026, e representa cerca de 45% das despesas operacionais das companhias aéreas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
Opinião
A situação do setor aéreo evidencia a fragilidade das companhias diante de crises externas, destacando a necessidade de estratégias mais robustas e adaptáveis.





