O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trouxe a segurança pública de volta ao centro das discussões eleitorais após sua visita à Casa Branca, onde se encontrou com o presidente Donald Trump. O encontro culminou na classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos em 28 de maio de 2026. Essa decisão foi um ponto de virada, colocando Flávio em uma posição de destaque no debate sobre segurança.
Após o encontro, Flávio afirmou ter solicitado a classificação das facções criminosas brasileiras, um movimento que contrasta com a postura do presidente Lula, que já havia se manifestado contra essa classificação. O silêncio do governo petista sobre a questão indica que Lula sentiu o impacto da decisão.
Reação de Lula e a Resposta do Governo
No dia seguinte à classificação, durante um evento em Sergipe, Lula comentou que o PCC e o CV não são “os terroristas que Trump quer, como Osama bin Laden“. Para o cientista político Samuel Oliveira, essa resposta do governo Lula pode não ser suficiente. Ele alerta que o governo precisa apresentar uma estratégia concreta contra o crime organizado, ou corre o risco de parecer que está evitando o problema real.
A pesquisa Genial/Quaest, que revelou que 27% dos brasileiros consideram a violência o principal problema do país, reforça a relevância do tema. O sentimento positivo em relação a Flávio Bolsonaro subiu 22 pontos percentuais após a divulgação da foto com Trump, uma mudança significativa no cenário político.
A Influência da Classificação Internacional
A classificação das facções como terroristas deve ser explorada pela pré-campanha de Flávio, pois desloca o foco do eleitor para a segurança pública, um tema que a direita tradicionalmente aborda com mais confiança. A pesquisa também mostrou que a corrupção e os problemas sociais são preocupações secundárias, com a violência se mantendo no topo da lista desde o início de 2025.
Os efeitos eleitorais da decisão dos EUA ainda são incertos, dependendo de como as campanhas de Flávio e Lula irão lidar com a questão. Além disso, a promotora de Justiça Celeste Leite dos Santos destacou que o Brasil precisa revisar sua legislação antiterrorismo para alinhar-se aos padrões internacionais, caso contrário, a defesa do governo sobre a não classificação do PCC e CV como terroristas pode ser enfraquecida.
Opinião
A visita de Flávio Bolsonaro a Trump e a subsequente classificação do PCC e CV como organizações terroristas traz à tona a urgência do debate sobre segurança pública, um tema que pode ser decisivo nas eleições de 2026.





