A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) adiou a decisão sobre a classificação da tilápia como espécie invasora, após intensa pressão de produtores. A reunião, realizada nos dias 27 e 28 de maio de 2026, não resultou em deliberações ou aprovações de qualquer lista de espécies, conforme informado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
Prejuízos estimados pelo setor
O setor de piscicultura estima que a inclusão da tilápia na lista de espécies invasoras poderia acarretar prejuízos de até US$ 38 bilhões anuais, com uma queda de até 90% nas exportações brasileiras dessa espécie. A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) expressou preocupação com as possíveis barreiras sanitárias, ambientais e comerciais que poderiam surgir.
Grupo de trabalho e critérios técnicos
Durante a reunião, foi decidido criar um grupo de trabalho composto por 15 representantes, sendo oito do governo federal e sete da sociedade civil, para definir critérios técnicos para a categorização de espécies exóticas invasoras. A classificação será baseada em evidência científica e levará em conta os impactos socioeconômicos das espécies.
Posicionamento da Embrapa
A Embrapa Pesca e Aquicultura se posicionou contra o enquadramento automático de espécies aquícolas, defendendo que a classificação deve ser feita com critérios técnicos específicos. A definição dos critérios deve ser concluída em até 90 dias a partir da resolução aprovada.
Próximos passos e transparência
O MMA assegurou que as classificações serão realizadas com rigor técnico e que a participação dos setores afetados será garantida. A pasta valorizou as contribuições técnicas durante o processo e reiterou seu compromisso com a transparência e o diálogo.
Opinião
A decisão da Conabio reflete a complexidade das questões envolvendo a biodiversidade e a necessidade de equilibrar interesses econômicos e ambientais, um desafio que deve ser enfrentado com responsabilidade e diálogo.





