O Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelou, em coletiva realizada no dia 28 de maio de 2026, que várias fintechs estão sendo utilizadas como um verdadeiro “duto do crime organizado” para a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação, que faz parte da Operação Fluxo Oculto, apontou que essas empresas movimentaram cerca de R$ 26 bilhões em recursos originários do tráfico de drogas, armas e adulteração de combustíveis.
A operação, que abrangeu cinco estados brasileiros, foi desencadeada em resposta à crescente utilização de fintechs no crime organizado, sendo um desdobramento da Operação Carbono Oculto, realizada em 2025. O promotor João Paulo Gabriel destacou que o PCC reorganizou sua estrutura financeira após a ação anterior, ampliando o número de fintechs envolvidas na ocultação de dinheiro ilícito.
Investigações e movimentações financeiras
Durante as investigações, foram identificadas quatro frentes principais relacionadas às fintechs. A primeira diz respeito à utilização de “contas-bolsões”, que permitem esconder a origem e o destino dos recursos. Essas práticas, que foram proibidas pelo Banco Central no ano passado, criam camadas de blindagem patrimonial. Três das fintechs investigadas não prestaram contas à Receita Federal, enquanto outras movimentaram aproximadamente R$ 8 bilhões em 2025.
Além disso, a investigação revelou que R$ 4 bilhões foram transferidos das empresas já investigadas para as fintechs alvo da nova operação. A criação de fintechs de fachada em nome de laranjas, logo após a Operação Carbono Oculto, também foi identificada, o que evidencia a adaptação do PCC às ações da justiça.
Convergência de organizações criminosas
Outro aspecto alarmante é a convergência entre diferentes organizações criminosas utilizando o mesmo sistema financeiro. O Gaeco informou que as fintechs investigadas eram usadas simultaneamente por vários grupos criminosos, compartilhando canais de movimentação financeira. O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que a Operação Carbono Oculto foi a maior ação contra organizações criminosas já realizada no Brasil.
Com as mudanças regulatórias exigindo mais transparência, as autoridades acreditam que a situação das fintechs está “contaminada” pelo crime organizado, com várias delas já tendo sido alvo de investigações anteriores.
Opinião
A revelação de que fintechs estão sendo usadas para lavagem de dinheiro é alarmante e reforça a necessidade urgente de uma regulação mais rigorosa e eficaz no setor financeiro digital.





