O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou, em um comunicado do Departamento de Estado, que irá designar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A decisão entra em vigor a partir do dia 5 de junho e se baseia na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade.
O secretário de Estado, Marco Rubio, destacou que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil, afirmando que “juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis”. A influência dessas facções se estende além das fronteiras do Brasil, afetando toda a região.
O governo brasileiro tem trabalhado para evitar essa designação, pois teme que isso possa abrir caminho para ações militares dos EUA em seu território ou a aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros. Especialistas alertam que essa decisão representa um risco à soberania brasileira e pode prejudicar a cooperação investigativa entre os dois países, alterando o nível de sigilo das informações compartilhadas.
As ações do governo Trump estão reorientando a política externa dos EUA em relação à América Latina, com um foco crescente no que chamam de narcoterrorismo. Recentemente, forças militares dos EUA bombardearam embarcações no Caribe, justificando suas ações como parte do combate ao terrorismo. O risco de ações semelhantes em território brasileiro, com base nesta nova designação, é uma preocupação real.
No início deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu, em visita aos EUA, a adoção de frentes de trabalho para asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais. Contudo, não houve menção específica sobre o CV e PCC durante a reunião com Donald Trump.
O anúncio de Rubio coincide com um encontro entre ele e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, que ocorreu em Washington. Este encontro se deu um dia após Flávio se reunir com Trump, acompanhado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Opinião
A designação do CV e PCC como organizações terroristas pelos EUA levanta questões sérias sobre a soberania do Brasil e a necessidade de um diálogo mais profundo sobre segurança e cooperação internacional.





