Os setores florestal e aquícola estão em alerta com a reunião da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que ocorrerá nos dias 27 e 28 de maio de 2026. A pauta inclui a análise de uma proposta que pode classificar a tilápia, juntamente com o eucalipto, pinus, goiaba e jaca, como espécies invasoras no Brasil. Essa decisão pode resultar em prejuízos significativos, estimados em até US$ 38 milhões anuais para a cadeia produtiva da tilápia.
A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) alerta que a inclusão da tilápia na nova lista pode causar uma queda de até 90% nas exportações do produto, que atualmente tem os Estados Unidos como principal destino, representando cerca de 85% das exportações brasileiras da espécie.
Os representantes do setor argumentam que essa classificação pode ser interpretada como um reconhecimento oficial de risco ambiental, o que poderia abrir portas para barreiras sanitárias e comerciais. O presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, lembra que uma situação semelhante ocorreu em 2010 com a carpa asiática, cujas exportações caíram drasticamente após sua classificação como invasora.
Insegurança jurídica e impactos no setor florestal
A inclusão do eucalipto, pinus e acácia na lista de espécies invasoras também gera preocupações no setor florestal. O diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE Florestas), Ailson Loper, destacou a importância de considerar critérios científicos e econômicos antes de qualquer decisão. O Paraná, por exemplo, é líder nacional no cultivo e processamento de pinus, uma espécie que já está presente no Brasil há mais de 120 anos.
Além disso, a Câmara dos Deputados aprovou recentemente o projeto de lei 5.900/2025, que exige a manifestação técnica prévia dos ministérios da Agricultura e Pesca antes de qualquer ato normativo que possa alterar o regime de produção de espécies utilizadas em atividades produtivas. Essa medida visa garantir maior segurança jurídica ao setor, que tem enfrentado crescentes incertezas.
Opinião
A análise da Conabio sobre a inclusão de espécies como a tilápia e o eucalipto na lista de invasoras destaca a necessidade de um equilíbrio entre a preservação ambiental e a viabilidade econômica das cadeias produtivas no Brasil.





