Foi realizada em Recife (PE), no dia 22 de maio de 2026, a 6ª Solenidade de Entrega das Certidões de Óbito retificadas de pessoas mortas e desaparecidas por perseguição política durante a ditadura militar, que ocorreu entre 1964 e 1985. O evento, promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), atendeu às recomendações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e mobilizou familiares, amigos e autoridades em defesa do direito à verdade.
Um marco histórico
A cerimônia, realizada no auditório “Fernando Santa Cruz”, na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), teve como objetivo a entrega das certidões de 434 desaparecidos políticos, conforme as Resoluções n.º 7 da CNV e n.º 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ato representa um passo significativo na busca por justiça e reparação histórica.
Reconhecimento e memória
Durante a solenidade, a música ‘O Bêbado e o Equilibrista’, interpretada pelos musicistas Jorge Simas e João Paulo Albertim, ecoou como símbolo de resistência e luta pela memória. A secretária-executiva do MDHC, Caroline Reis, destacou a importância do reconhecimento dos erros do passado e da necessidade de reparação. “Nada trará seus entes queridos de volta, mas é fundamental promovermos esses momentos de reparação para garantir a vocês um mínimo de dignidade nesta data”, afirmou.
Histórias de dor e luta
Um dos momentos mais emocionantes foi quando Augusto Albuquerque, irmão de Jonas José de Albuquerque Barros, a primeira vítima da ditadura em Pernambuco, recebeu a certidão. Ele relembrou o sofrimento da família e fez um apelo pela preservação da memória: “Não podemos, de maneira alguma, permitir que isso volte a acontecer”.
Paula Teixeira, neta de João Pedro Teixeira, também expressou a dor da perda e a continuidade da luta por justiça. “João Pedro foi assassinado por defender os necessitados e lutar por igualdade”, disse ela, ressaltando a importância de manter viva a memória dos que lutaram por um Brasil mais justo.
Compromisso com a verdade
A presidente da CEMDP, Eugênia Augusta Gonzaga, enfatizou que a entrega das certidões é um passo importante, mas que as buscas pelos corpos e a justiça ainda são necessárias. O secretário-geral da OAB, Cláudio Ferreira, também destacou a simbologia do evento, realizado na Casa da Cidadania, que representa a luta por memória e verdade.
Opinião
A entrega das certidões de óbito retificadas é um gesto de reconhecimento e um passo essencial na luta pela justiça e memória, reafirmando a importância de não esquecermos os horrores do passado.





