O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em entrevista, que a redução da jornada de trabalho associada ao fim da escala 6×1 seja realizada de uma só vez, sem um longo período de transição. O tema será discutido em uma reunião na segunda-feira, 25, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
Lula afirmou: “Defendemos que seja de uma vez. Não dá para aceitar ficar quatro anos reduzindo meia hora por ano.” Contudo, ele reconheceu que o governo não possui a força política necessária para aprovar a proposta na íntegra e que será preciso negociar com o Congresso para que a mudança aconteça.
O presidente considerou a mudança necessária ao observar os impactos da jornada atual no cotidiano dos trabalhadores. Ele ressaltou que a redução não acarretaria prejuízos econômicos, mas sim ganhos sociais e de bem-estar, afirmando: “Não vai trazer prejuízo, vai trazer ganho, as pessoas vão estar mais tranquilas, mais descansadas.”
Além disso, Lula relacionou a discussão à sobrecarga das mulheres, que enfrentam jornadas mais cansativas devido à acumulação de trabalho formal e tarefas domésticas. Ele criticou a postura de alguns homens que, segundo ele, se acomodam e não ajudam em casa, enquanto suas parceiras enfrentam uma carga excessiva de trabalho.
O presidente lembrou que o Brasil reduziu a jornada de 48 para 44 horas na Constituição de 1988, e destacou que os avanços tecnológicos desde então resultaram em lucros para as empresas, que devem ser revertidos em melhores condições de trabalho para os funcionários. Ao refutar críticas à sua proposta, Lula apontou que o país ainda enfrenta uma mentalidade retrógrada nas relações de trabalho, onde alguns empresários se mostram modernos publicamente, mas mantêm práticas antiquadas em suas empresas.
Opinião
A proposta de Lula sobre a redução da jornada de trabalho reflete uma necessidade urgente de modernização nas relações laborais, visando o bem-estar dos trabalhadores e a equidade de gênero.





