Economia

Economistas alertam: Herança fiscal de R$ 1,4 trilhão pode colapsar Brasil até 2034

Economistas alertam: Herança fiscal de R$ 1,4 trilhão pode colapsar Brasil até 2034

Um estudo elaborado pelos economistas Fábio Serrano e Samuel Pessoa, do BTG Pactual, aponta que as regras de gastos adotadas no atual governo podem resultar em uma herança fiscal de R$ 1,4 trilhão até 2034. Essa situação gera um custo extra de R$ 1,397 trilhão entre 2027 e 2034, o que pressionará o Orçamento e os juros nos próximos anos.

A principal razão para essa pressão nas contas públicas é a volta da indexação, que refere-se ao reajuste automático de gastos. Atualmente, cerca de 45% das despesas federais aumentam automaticamente com a elevação da arrecadação ou do salário mínimo. Essa dinâmica inclui benefícios previdenciários e assistenciais, além dos pisos para saúde e educação, limitando a capacidade do governo de investir em novos projetos.

Impacto do salário mínimo nas despesas

O salário mínimo é um fator crucial nessa equação. Ele corrige automaticamente aposentadorias, seguro-desemprego e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), fazendo com que aumentos reais acima da inflação resultem em um efeito cascata. As estimativas indicam que essa política custará R$ 747 bilhões adicionais até 2034.

Emendas parlamentares e suas consequências

Outro aspecto que agrava a situação são as emendas parlamentares, que são recursos direcionados por deputados e senadores para seus estados e redutos eleitorais. Desde 2018, o valor dessas emendas saltou de R$ 10 bilhões para R$ 50 bilhões anuais, tornando-se uma fonte permanente de aumento de gastos. Mudanças na legislação agora vinculam o valor dessas emendas à receita do país, o que reduz ainda mais o controle do governo sobre as prioridades de investimento.

Previsões alarmantes para a dívida pública

Se essa situação não for contornada, a dívida pública pode saltar de 79% para 95% do PIB até 2034. Essa projeção gera preocupações significativas entre os economistas, que alertam sobre a necessidade de reformas urgentes.

Desafios políticos e sociais

A resistência a cortes nos gastos é uma questão política e social complexa, pois mexer nas regras de gastos impacta diretamente benefícios populares. Atualmente, cerca de 45 milhões de pessoas recebem benefícios do INSS ou BPC, e 165 milhões dependem do SUS (Sistema Único de Saúde). Especialistas alertam que, se os candidatos evitarem discutir esses temas nas eleições de 2026 e prometerem gastos inviáveis, o Brasil pode enfrentar um novo ‘estelionato eleitoral’, resultando em crises fiscais severas logo após as eleições.

Opinião

A situação fiscal do Brasil exige um debate sério e transparente, onde as soluções propostas sejam viáveis e levem em conta as necessidades da população, evitando promessas irresponsáveis.