Lideranças do agronegócio e parlamentares estão pressionando o governo federal por mudanças estruturais no Plano Safra 2026/2027, que será anunciado em junho. O setor agropecuário enfrenta dívidas de R$ 800 bilhões e juros altos, o que motivou a proposta de novos modelos de financiamento e a criação de um fundo garantidor.
O modelo atual de subsídios, onde o governo paga parte dos juros, está esgotado. No último ano, o governo anunciou mais de R$ 500 bilhões, mas apenas conseguiu garantir juros baixos para menos de um quarto desse valor. Sem garantias reais, o dinheiro não chega ao produtor, que enfrenta custos altos de produção e preços baixos na venda, criando uma situação crítica.
Proposta de fundo garantidor
A senadora Tereza Cristina propôs a criação do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) para a agricultura, com um aporte inicial de R$ 20 bilhões do governo. Esse fundo funcionaria como um ‘seguro’ para os bancos, permitindo que ofereçam prazos maiores e taxas menores, facilitando a renegociação das dívidas dos produtores.
Orçamento plurianual e Lei do Agro 3
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sugere que o Plano Safra deixe de ser um anúncio anual e passe a ter um orçamento plurianual, garantindo recursos durante todo o ciclo de plantio e colheita. Além disso, a Lei do Agro 3 busca facilitar a entrada de dinheiro privado no setor, que representa quase 25% da economia brasileira.
Posicionamento do governo
O ministro da Agricultura, André de Paula, e o vice-presidente Geraldo Alckmin demonstraram apoio às mudanças propostas. Contudo, o governo admite que o foco recente tem sido nos pequenos produtores, enquanto os médios e grandes enfrentam dificuldades fiscais. A decisão final sobre os valores e juros do Plano Safra caberá ao presidente Lula no anúncio de junho.
Opinião
A pressão do setor agropecuário por mudanças no Plano Safra reflete a urgência em garantir a sustentabilidade da produção, destacando a importância de soluções inovadoras para evitar a inadimplência.





