Economia

Senadora Tereza Cristina cobra mudanças no financiamento do agro diante de crise histórica

Senadora Tereza Cristina cobra mudanças no financiamento do agro diante de crise histórica

Com uma taxa de inadimplência rural no maior patamar histórico e um endividamento que já ultrapassa a marca de R$ 800 bilhões, o agronegócio brasileiro cobra do governo federal uma mudança estrutural no modelo de financiamento para o setor no Plano Safra 2026/2027. O volume de investimentos do programa deve ser anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em junho.

A dimensão do problema fica clara em um dado: no Plano Safra 2025/2026, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agropecuária, mas o Tesouro Nacional conseguiu equalizar juros para apenas R$ 113,8 bilhões, menos de um quarto do total. O restante ficou no papel. Entidades do setor e a bancada ruralista no Congresso Nacional alertam que o país pode sofrer uma retração na oferta agrícola com o esgotamento do atual sistema de subsídios diretos do Estado.

Propostas de Tereza Cristina e da FPA

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura e Pecuária, propõe a criação de um fundo garantidor de investimentos (FGI) para a agricultura. Durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), ela destacou a necessidade de reformulação do Plano Safra. A senadora é autora de uma emenda ao projeto de lei (PL) 5.122/2023 que prevê a criação do FGI e um aporte federal de R$ 20 bilhões.

Conforme a discussão na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, os recursos seriam usados como garantia de crédito para a renegociação das dívidas do setor junto ao sistema financeiro. A votação do texto está prevista para a próxima terça-feira (19). Tereza Cristina argumentou que os R$ 20 bilhões poderiam alavancar mais de R$ 70 bilhões, podendo chegar até R$ 200 bilhões.

CNA e FPA pedem novos orçamentos e modernização

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende um novo modelo de orçamento plurianual para as políticas agrícolas, pedindo R$ 623 bilhões para o próximo Plano Safra. A entidade argumenta que o novo modelo deve ser orientado pela previsibilidade e continuidade de execução.

Além disso, a bancada ruralista exige um orçamento de pelo menos R$ 4 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e defende a modernização do crédito por meio da proposta chamada ‘Lei do Agro 3’, que busca injetar R$ 800 bilhões no financiamento rural.

Ministro e vice-presidente comentam a situação

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que está trabalhando para atender as demandas do setor, mas que a palavra final caberá ao presidente Lula. O vice-presidente Geraldo Alckmin também sinalizou abertura ao FGI, citando experiências positivas em outros estados, mas reconheceu a falta de recursos do Tesouro Nacional para a equalização das taxas de juros.

Opinião

A pressão do agronegócio sobre o governo é um reflexo da urgência em se reverter uma crise que pode impactar a produção agrícola do país. A proposta de um fundo garantidor é um passo importante, mas sua implementação será crucial para a recuperação do setor.