Eleições

João Henrique Catan troca PL pelo Novo e ignora críticas de Zema a Flávio Bolsonaro

João Henrique Catan troca PL pelo Novo e ignora críticas de Zema a Flávio Bolsonaro

Após trocar o PL pelo Novo para concorrer ao governo de Mato Grosso do Sul, o deputado estadual João Henrique Catan se vê em uma situação delicada. O silêncio de Catan diante das críticas feitas pelo ex-governador mineiro Romeu Zema ao senador Flávio Bolsonaro abriu uma nova frente de desgaste político no campo bolsonarista.

Em sua crítica, Zema classificou como “imperdoável” o pedido de dinheiro feito por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O episódio, revelado por áudios vazados, gerou forte repercussão nacional e aprofundou o racha entre setores da direita alinhados ao bolsonarismo e aqueles que buscam construir uma candidatura conservadora independente.

Como pré-candidato a governador, Catan evitou se manifestar sobre as declarações de Zema, o que chamou a atenção, especialmente por sua proximidade política com Flávio Bolsonaro. Nos últimos anos, Catan se destacou como um dos mais ativos defensores do senador e da família Bolsonaro em Mato Grosso do Sul, frequentemente criticando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores da política estadual, aliados e adversários avaliam que a ausência de posicionamento coloca Catan em uma situação complicada. Ele precisa equilibrar sua fidelidade ao bolsonarismo, que lhe garantiu projeção no eleitorado de direita, e a necessidade de seguir a linha do Novo, que tenta se distanciar de Flávio Bolsonaro após o escândalo envolvendo Vorcaro.

O silêncio de Catan pode dificultar seu diálogo com setores mais ideológicos da direita sul-mato-grossense. Parte desse eleitorado esperava uma defesa pública de Flávio Bolsonaro, enquanto outra ala, mais ligada ao Novo, aguardava um alinhamento ao discurso nacional do partido. O episódio evidencia o dilema enfrentado por lideranças conservadoras: manter fidelidade ao bolsonarismo ou acompanhar movimentos que buscam alternativas eleitorais à hegemonia da família Bolsonaro.

Além disso, o caso expôs um isolamento político crescente de Catan dentro do campo conservador. Enquanto lideranças bolsonaristas cobram apoio a Flávio Bolsonaro, integrantes do Novo defendem uma postura mais alinhada ao discurso nacional do partido, aumentando a pressão sobre o deputado estadual.

Reservadamente, parlamentares afirmam que a estratégia de silêncio de Catan visa evitar desgaste em um momento em que a corrida eleitoral ainda está em formação. A avaliação é que qualquer posicionamento mais contundente poderia provocar rupturas com a base bolsonarista e com setores liberais ligados a Zema.

Enquanto isso, Catan se limitou a utilizar a tribuna da Assembleia Legislativa para abordar o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro, sem se referir diretamente às declarações de Zema. Ele questionou a origem das mensagens vazadas e a repercussão política do caso, mas não comentou as críticas do ex-governador.

Opinião

A situação de João Henrique Catan é um reflexo das tensões internas no campo conservador, onde a busca por um posicionamento claro é cada vez mais necessária em tempos de crise.