O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, manifestou sua oposição ao acordo anunciado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que propõe a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas. Skaf criticou a falta de consulta aos setores produtivos, afirmando que Motta não compreende a realidade das empresas brasileiras.
Na véspera, Motta informou que a proposta será votada através de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), com a intenção de eliminar a escala 6×1, sem impactar os salários dos trabalhadores. Skaf, no entanto, argumenta que essa decisão é influenciada por interesses políticos e eleitorais, questionando se Motta realmente entende as necessidades dos diferentes setores da economia.
Impactos Econômicos e Comparações
O presidente da Fiesp alertou que a mudança na jornada de trabalho pode resultar em uma queda do PIB brasileiro entre 1% a 3%, caso a proposta seja aprovada sem um planejamento adequado. Ele também destacou que a indústria brasileira opera com margens de lucro entre 2% e 3%, o que tornaria difícil para as empresas absorverem os custos adicionais decorrentes da nova jornada.
Além disso, Skaf citou o Chile como um exemplo negativo de mudanças semelhantes implementadas em 2024, que resultaram em aumento da informalidade, desemprego e inflação. Ele enfatizou que a realidade da saúde não é a mesma da agricultura ou da indústria, defendendo uma análise mais detalhada para cada setor.
Pressão do Governo e Próximos Passos
Skaf também criticou a pressão do governo para que a votação da PEC ocorra rapidamente no Congresso Nacional, afirmando que os parlamentares estão sendo forçados a atender a essa demanda, que é vista como uma bandeira eleitoral. A votação do parecer do relator Leo Prates está marcada para o dia 27 de maio, e se aprovado, o texto seguirá para o plenário da Câmara e, posteriormente, para o Senado. O governo deseja que a nova regra entre em vigor imediatamente, sem período de transição.
Opinião
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho é complexa e envolve considerações econômicas significativas. É fundamental que haja um diálogo amplo com os setores produtivos para evitar consequências indesejadas.





