Política

Jamie Dimon avisa que JP Morgan repensa sede em Londres se Starmer sair do cargo

Jamie Dimon avisa que JP Morgan repensa sede em Londres se Starmer sair do cargo

O JP Morgan pode reconsiderar a construção planejada de uma nova torre bilionária de escritórios em Londres caso o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deixe o cargo, afirmou nesta quarta-feira (13) o CEO do banco, Jamie Dimon. Em entrevista à Bloomberg, em Paris, o executivo da maior instituição financeira dos Estados Unidos disse que, embora uma mudança de liderança política não altere a estratégia global do JP Morgan, ela pode obrigar o banco a reavaliar seus planos futuros na capital britânica.

No fim do ano passado, o JP Morgan anunciou a construção de uma torre de três milhões de pés quadrados no distrito financeiro de Canary Wharf, em Londres, para acomodar até 12 mil funcionários e servir como sede da companhia no Reino Unido. A previsão é que as obras levem seis anos. Nesse período, o banco também pretende reformar seu prédio atual na Bank Street.

Na época do anúncio, o JP Morgan afirmou que os planos estavam “sujeitos à manutenção de um ambiente de negócios positivo no Reino Unido e à obtenção das aprovações e acordos necessários em níveis nacional e local”. Questionado na terça-feira se a instabilidade política no Reino Unido mudava sua visão sobre o megaprojeto em Londres, Dimon respondeu que sim, caso um novo governo se mostrasse “hostil aos bancos”.

O executivo também criticou a carga tributária enfrentada pela instituição no Reino Unido. Segundo ele, o JP Morgan já pagou cerca de US$ 10 bilhões em “impostos adicionais” relacionados ao projeto de construção. Atualmente, o banco emprega mais de 20 mil pessoas no Reino Unido, sendo 13 mil em Londres. Em novembro, a instituição estimou que os projetos de construção e modernização dos escritórios devem contribuir com cerca de 9,9 bilhões de libras (US$ 13,4 bilhões) para a economia britânica e gerar mais de 7.800 empregos nos próximos seis anos.

A liderança de Keir Starmer segue sob pressão após o fraco desempenho do Partido Trabalhista nas eleições locais do Reino Unido na semana passada, o que desencadeou pedidos de renúncia dentro da legenda. Até a manhã de terça-feira, 90 parlamentares trabalhistas haviam pedido a saída do premiê, enquanto mais de 100 deputados assinaram um manifesto em apoio à sua permanência.

A reação negativa ao governo trabalhista impulsionou o crescimento do partido de direita Reform UK e do Partido Verde, de esquerda, nas eleições recentes. Apesar da turbulência política, investidores do mercado de títulos britânicos têm demonstrado apoio à permanência de Starmer e da ministra das Finanças, Rachel Reeves, especialmente em comparação com possíveis alternativas.

Na terça-feira, os títulos públicos britânicos, conhecidos como “gilts”, sofreram pressão durante episódios anteriores de incerteza política. Na manhã de quarta-feira, os papéis se recuperavam após Starmer desafiar publicamente os pedidos de renúncia. Dimon, por sua vez, demonstrou apoio ao premiê britânico e à ministra Rachel Reeves. “Acho que Keir Starmer é um cara muito inteligente”, afirmou o CEO à Bloomberg.

“A política é muito difícil. Eles estão lidando com dívidas e déficits herdados. Tenho grande respeito por Rachel Reeves, e eles precisam ser firmes. Precisam dizer: ‘vamos fazer coisas que talvez no curto prazo não sejam ótimas’, mas governos precisam fazer o que é certo para fazer a economia crescer.”

Dimon também elogiou a postura de Starmer na tentativa de reconstruir as relações do Reino Unido com a União Europeia após o Brexit. “Acho que eles precisam trabalhar mais próximos da Europa. Keir Starmer e [o presidente francês Emmanuel Macron] falaram em fortalecer essa relação”, disse Dimon. “Não se trata de reverter o Brexit, mas de alianças militares, cooperação em inteligência e relações econômicas que sejam boas tanto para o continente quanto para o Reino Unido.”

Starmer deve se reunir nesta quarta-feira com integrantes do governo antes do discurso do rei Charles no Parlamento, que apresentará a agenda oficial do governo. Durante reunião ministerial na terça-feira, o premiê afirmou que pretende cumprir integralmente seu mandato de cinco anos.

Sem uma renúncia voluntária, um desafio formal à liderança de Starmer no Partido Trabalhista só poderá ocorrer se ao menos 20% dos parlamentares trabalhistas apoiarem um rival. Atualmente, isso significa que 81 deputados do partido precisariam apoiar um possível substituto.

Opinião

A situação política no Reino Unido e suas implicações para grandes empresas como o JP Morgan revelam a complexidade do cenário econômico atual, onde decisões de liderança podem impactar diretamente investimentos significativos.