A Petrobras não tem intenção em mudanças abruptas de preço de combustíveis no Brasil, apesar do encarecimento do preço do petróleo no mercado internacional, por causa da guerra no Oriente Médio. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, a empresa busca o aumento de produção para garantir a segurança energética do país. “A Petrobras tem trabalhado para aumentar a produção dos derivados [de petróleo] no mercado brasileiro, o que se revelou ainda mais importante a partir de março, em condições de guerra do Irã”, disse durante uma entrevista no Rio de Janeiro.
Os ataques entre Estados Unidos e Israel ao Irã começaram no dia 28 de fevereiro, afetando a região que concentra países produtores de petróleo e o Estreito de Ormuz, passagem marítima que sofreu bloqueios. Antes da guerra, passavam por lá cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural. Com a cadeia logística em turbulência, a oferta de óleo cru e seus derivados diminuiu no mundo, levando à escalada dos preços. O barril do Brent, referência internacional, saltou de US$ 70 para mais de US$ 100, atingindo picos ao redor de US$ 120.
Para tentar frear a escalada no mercado interno, o governo federal tomou medidas como a isenção de tributos federais que incidem sobre combustíveis e subvenção econômica para produtores e distribuidores. Desde o início da guerra, a Petrobras reajustou o óleo diesel e o querosene de aviação (QAV), enquanto a gasolina não sofreu reajuste. Questionada sobre um possível aumento de preço da gasolina, Magda apontou que monitora os preços, mas também a participação no mercado e a concorrência com o etanol.
A diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angelica Laureano, afirmou que a decisão sobre um possível aumento do preço da gasolina não depende da aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026, que tramita no Senado e reduz a zero as alíquotas dos tributos PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis. “Se a empresa avaliar que está persistentemente com o preço que não atende às nossas expectativas, a gente vai aumentar”, disse.
Desempenho Financeiro
A presidente da Petrobras destacou o excelente desempenho operacional da empresa, com um recorde de produção de óleo e gás. No primeiro trimestre, a produção foi 16,1% superior à do mesmo período do ano passado. De acordo com Chambriard, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias está acima de 100%, o maior desde dezembro de 2014. A empresa afirmou ainda que investe em confiabilidade das estruturas e que 2026 é um ano de baixa nas manutenções programadas.
A Petrobras registrou lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro do obtido no último trimestre de 2025. O resultado revela um recuo de 7,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, explicado pelo câmbio. A dívida da companhia somou US$ 71,2 bilhões, alta de 10,8% na comparação anual, mas dentro do limite previsto no plano de negócios 2026-2030.
Opinião
A busca da Petrobras por aumentar a produção em meio a uma crise internacional reflete a necessidade de garantir a segurança energética do Brasil, mas o impacto nos preços dos combustíveis ainda gera incertezas no mercado.





