A Copa do Mundo de 2030 simboliza a ambição de Marrocos em se destacar no cenário esportivo global. Coanfitrião do torneio, ao lado de Portugal, Espanha, Uruguai, Argentina e Paraguai, o país norte-africano está investindo cerca de 14 bilhões de euros (R$ 92 bilhões) em infraestrutura para o evento, conforme documentos apresentados à FIFA.
No entanto, esse investimento bilionário não é bem recebido por parte da população. Desde setembro de 2022, protestos têm ocorrido em cidades como Rabat, Casablanca e Fez, onde jovens criticam a priorização dos gastos na Copa em detrimento de áreas essenciais como saúde e geração de empregos. Os manifestantes clamam por “queremos hospitais, não estádios”.
Desigualdades e Desafios
O cenário social em Marrocos é preocupante. Com apenas 7,8 médicos para cada 10 mil marroquinos, o país está muito abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 23 médicos para cada 10 mil. Além disso, o desemprego entre jovens supera 20%, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O plano para a Copa inclui seis estádios, todos localizados em regiões urbanas. O Estádio ‘Hassan II’, em construção na cidade de Benslimane, terá capacidade para 115 mil espectadores e é considerado um trunfo para Marrocos na disputa para sediar a final do torneio.
Pressão sobre Recursos
Apesar do investimento em infraestrutura, o país enfrenta um estresse hídrico severo, com cerca de 80% da água disponível sendo destinada à agricultura, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Essa situação levanta preocupações sobre a viabilidade de tais projetos em um contexto de recursos limitados.
Embora Marrocos tenha registrado crescimento econômico, os benefícios são desigualmente distribuídos, levando a críticas sobre a falta de acesso a emprego, saúde e educação para grande parte da população.
Opinião
O investimento na Copa do Mundo de 2030 revela um conflito entre ambições esportivas e as necessidades sociais urgentes de Marrocos, evidenciando a luta por prioridades em um país em desenvolvimento.





