A renda média mensal do brasileiro atingiu o patamar recorde de R$ 3.367 no primeiro trimestre de 2026, porém esse crescimento foi acompanhado por uma maior concentração de riqueza. Segundo a economista e professora da FGV, Carla Beni, “Estamos recuperando a massa salarial com o acréscimo do PIB no cálculo do mínimo, mas a renda dos 10% mais ricos cresceu 8,7%, enquanto a dos mais pobres subiu apenas 3,1%.”
O cenário se complica ainda mais com o endividamento, que atinge 67% das famílias brasileiras, e a inadimplência crônica de 50% da população adulta, fatores que limitam severamente o consumo interno. Carla Beni enfatizou que “o grande problema é o ‘nome sujo’ em 50% dos adultos, o que limita contratos de aluguel e crédito”. Para tentar aliviar essa situação, foi lançado o novo programa Desenrola, que inclui o bloqueio do CPF para casas de apostas por um ano.
No campo econômico, o recente encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump em Washington trouxe à tona discussões sobre tarifas do aço. Lula rebateu as acusações dos Estados Unidos sobre altas taxas, afirmando que a tarifa média é de apenas 2%. O encontro resultou na criação de um grupo de trabalho de 30 dias para debater o adicional de 50% nas tarifas do aço.
A instabilidade no Oriente Médio também está pressionando as projeções inflacionárias para o final de 2026, com o preço do petróleo flutuando próximo aos $ 100 (R$ 491,00). Embora o Brasil sofra menos por importar menos diesel, a inflação pode furar o teto da meta de 4,5%. A economista alertou que “o mundo tenta organizar a oferta para que, com o arrefecimento do conflito, o preço ajuste abaixo da casa dos três dígitos”.
Opinião
A crescente desigualdade e o alto endividamento das famílias brasileiras exigem ações urgentes para garantir um crescimento sustentável e inclusivo.





