O CEO da companhia aérea LATAM do Brasil, Jerome Jacques Cadier, fez uma declaração alarmante no dia 5 de maio de 2026, alertando que o fim da escala 6×1, conforme o texto em discussão no Congresso, poderia inviabilizar a operação internacional de voos com origem ou destino ao Brasil. Durante uma coletiva de imprensa sobre os resultados do primeiro trimestre da companhia, Cadier enfatizou que os trabalhadores do setor não deveriam ser afetados por essas mudanças.
Segundo o CEO, a inclusão de pilotos e comissários nas novas propostas de jornada de trabalho impediria a realização de voos com duração superior a oito horas, que abrangem a maioria das rotas internacionais do Brasil. “Se um projeto assim for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional, pois não poderemos operar voos de mais de oito horas. Então acaba toda a operação internacional”, alertou.
Impactos e Reações
Dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo (Abesata) revelam que 53,2% dos trabalhadores do transporte aéreo formalizados no país atuam atualmente em escala 6×1. A transição para um modelo 5×2 poderia elevar os custos operacionais em até 20%.
A proposta de emenda à Constituição que visa reduzir a jornada de trabalho está em fase decisiva no Congresso, após uma intensa disputa entre parlamentares e o governo. O presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) avançou com o tema, e duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) foram aprovadas pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) no dia 22 de abril.
Propostas de Lei e Ironias
Na mesma linha, o deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) protocolou o projeto de Lei 2174/2026, que estabelece um salário-mínimo de R$ 100 mil, sugerindo que não é possível manipular por lei a renda gerada com trabalho. Em resposta à declaração de Cadier, a deputada federal Erika Hilton ironizou, afirmando que uma escala reduzida não impediria franceses de viajarem para fora da França.
Opinião
A discussão sobre a jornada de trabalho no setor aéreo é complexa e envolve interesses de diferentes partes. O impacto nas operações internacionais deve ser cuidadosamente avaliado para não prejudicar o setor e os trabalhadores.





