O vice-cacique das tribos Kaiowá e Guarani, Givaldo Santos, de 40 anos, foi assassinado a tiros no início da noite do dia 1 de setembro na Reserva Taquaperi, localizada entre Coronel Sapucaia e Amambai. Givaldo foi abordado por dois homens em uma moto enquanto aguardava o irmão voltar do trabalho em um ponto na MS-289 conhecido como Chapeuzinho.
Após o crime, indígenas da região ameaçaram iniciar um protesto na rodovia, mas, após negociações com a Polícia, o movimento foi desfeito. A esposa de Givaldo afirmou que ele não tinha desavenças e não havia recebido ameaças recentes. No entanto, relatos indicam que os homens que abordaram Givaldo também foram vistos questionando outros indígenas durante o dia.
Conflitos na Região
Indígenas que estavam próximos ao local do assassinato afirmaram ter ouvido pelo menos quatro disparos, um dos quais atingiu a cabeça de Givaldo, que morreu antes da chegada do socorro. Um indígena expressou sua indignação: “Nos matam feito animais, não respeitam a nossa vida. Givaldo era pai de cinco filhos. Como ficam essas crianças agora?”.
A região tem sido marcada por conflitos entre indígenas e policiais, especialmente após a retomada da Fazenda Limoeiro em 25 de abril, que resultou em confrontos e na prisão de cinco indígenas. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) relatou que a fazenda está situada em um território que pertence à comunidade indígena, que atualmente possui apenas 668 hectares devido a invasões de fazendeiros.
Acidente na MS-289
Pouco antes do assassinato de Givaldo, um acidente na MS-289 resultou na morte de dois indígenas, Rick Elison Batista Rios, de 12 anos, e Fabiano Lescano, que estavam em um Fiat Uno atingido por uma caminhonete Hilux. Testemunhas afirmaram que o motorista da Hilux, conhecido na comunidade, estava em alta velocidade e invadiu a pista contrária.
Os indígenas alegaram que as vítimas não receberam socorro imediato, que foi direcionado ao motorista não indígena, e que ele estaria sendo protegido por políticos da região, dificultando as investigações. O Ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, enviou um ofício ao governador do Estado, Eduardo Riedel, solicitando uma investigação mais aprofundada sobre o acidente.
Opinião
A situação dos povos indígenas em Mato Grosso do Sul exige atenção urgente das autoridades para garantir a segurança e o respeito aos direitos humanos.





