Há 50 anos, a estilista Zuzu Angel foi assassinada em um atentado encoberto como acidente, enquanto dirigia pelo túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro. Na época, Zuzu tinha apenas 53 anos e era uma das vozes mais ativas contra a ditadura militar brasileira. O assassinato ocorreu em um momento em que ela denunciava publicamente o regime, que havia sequestrado e matado seu filho, Stuart Angel, em 1971.
O ativismo de Zuzu Angel
Durante cinco anos, Zuzu buscou justiça pelo desaparecimento de Stuart, que foi preso e torturado no Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa). Sua luta não se limitou ao Brasil; ela buscou apoio internacional, incluindo contatos com Henry Kissinger, então secretário de Estado dos Estados Unidos. A estilista usou sua influência e a moda como forma de protesto, inserindo símbolos de denúncia em suas coleções.
A confirmação do assassinato
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade confirmou que Zuzu foi assassinada, retificando sua certidão de óbito para reconhecer a morte como violenta, causada pelo próprio Estado. A historiadora Cristina Scheibe Wolff destaca que a jornada de Zuzu é parte de um movimento mais amplo de mães que transformaram dor em ação durante as ditaduras na América do Sul.
Legado de resistência
O legado de Zuzu Angel se estende além de sua morte. Sua trajetória é um exemplo de como a resistência pode se manifestar de diversas formas, incluindo a arte e a cultura. A luta de Zuzu continua a ser reconhecida, com homenagens e a criação da Casa Zuzu Angel, um museu dedicado à moda e à memória de sua vida e luta.
Opinião
A luta de Zuzu Angel permanece como um símbolo poderoso de resistência contra a opressão, mostrando que a arte pode ser uma arma eficaz na luta por justiça e direitos humanos.





