A guerra no Oriente Médio já impacta os preços em Campo Grande, com alimentos sentindo a pressão do aumento do frete e dos fertilizantes. Dados da inflação oficial mostram que feijão, carne e tomate acumulam alta de até 37% em 2023.
Conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, o repolho teve alta impressionante de 82,02% nos primeiros meses do ano. Outros itens, como o feijão-carioca, subiram 37,28%, e o tomate, 31,66%. A cebola e o ovo também registraram aumentos significativos de 24,83% e 17,49%, respectivamente.
Aumento nos combustíveis
O impacto da alta no preço do óleo diesel, que subiu 21% nas bombas de Mato Grosso do Sul em um mês, é evidente. Essa elevação no preço do combustível afeta diretamente o valor do frete e, consequentemente, o custo dos alimentos. O economista Eugênio Pavão explica que a instabilidade provocada pela guerra desestabiliza os mercados de energia, dificultando previsões de estabilização.
Dados do IPCA
O IPCA de Campo Grande foi de 0,93% em março, um aumento de 0,75 ponto porcentual em relação a fevereiro. O acumulado do ano é de 1,59%, com uma variação nos últimos 12 meses de 2,66%, superando os 2,13% do período anterior.
Futuro incerto
O petróleo, que fechou a cotação em alta, com o WTI a US$ 99,08 e o Brent a US$ 99,36, indica que a alta nos preços de alimentos, fertilizantes e combustíveis deve continuar. Pavão alerta que a redução na distribuição de petróleo pelo Irã pode prolongar a instabilidade econômica.
Percepção do consumidor
A administradora Rosemere Sguario já notou o aumento nos preços no supermercado, citando o arroz e o feijão como exemplos de produtos que sofreram oscilações significativas. Ela destaca a dificuldade de manter o padrão de vida com o salário mínimo atual.
Desafios no mercado de fertilizantes
O acordo fracassado de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos traz incertezas ao mercado de fertilizantes, com preços da ureia no Brasil acumulando alta de 61% desde o início do conflito. O analista Tomás Pernías ressalta que as relações de troca entre ureia e milho estão nos piores níveis dos últimos anos, dificultando novas negociações.
Opinião
A situação atual revela a vulnerabilidade do mercado brasileiro às tensões internacionais, exigindo atenção das autoridades e consumidores para os impactos no dia a dia.





