O estado de Santa Catarina é amplamente reconhecido como o mais conservador do Brasil. Desde a redemocratização, nenhum partido de esquerda conseguiu vencer a disputa pelo governo estadual, evidenciando a dificuldade desse campo político em se estabelecer como uma alternativa viável.
A análise do professor Julian Borba, do Departamento de Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destaca a hegemonia dos partidos de direita e centro desde os anos 1980. Embora coalizões tenham contado com a participação de partidos progressistas, a liderança sempre esteve fora do espectro da esquerda.
Domínio da direita nas eleições
Em 2018, a direita elegeu 56,3% dos deputados federais catarinenses, enquanto a esquerda ficou com apenas 18,8%. Na Assembleia Legislativa, os números foram semelhantes: 47,5% da direita e 25% da esquerda. Em 2022, esse cenário se agravou, com 65% dos deputados estaduais eleitos pertencendo a partidos de direita.
A eleição de Carlos Moisés ao governo pelo PSL em 2018, impulsionada pela “onda Bolsonaro”, foi um marco na política catarinense. O ex-presidente obteve 65,82% dos votos no primeiro turno naquele ano, e a direita continuou a dominar as urnas em 2022, onde mais de 80% dos votos foram para candidatos desse espectro.
Desafios da esquerda em Santa Catarina
O petista Décio Lima chegou ao segundo turno em 2022 com menos de 18% dos votos, evidenciando a dificuldade da esquerda em se consolidar mesmo em um cenário de polarização. O atual governador Jorginho Mello, do PL, é o favorito para reeleição em 2026.
Pesquisadores como Daniel Pinheiro, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), apontam que a formação social e cultural do estado, aliada a uma tradição política conservadora, limita as chances de sucesso da esquerda. A consultora política Andreia Maidana complementa que a dificuldade está mais ligada à pauta de costumes do que à agenda econômica.
Perspectivas para 2026
A pré-campanha para as eleições de 2026 mostra uma preferência pela reeleição de Jorginho Mello, com 49% das intenções de voto. Décio Lima, embora tenha alcançado apenas 19,6% em algumas simulações, é visto como uma das apostas da esquerda. A fragmentação interna e a ausência de uma liderança hegemônica dificultam a reorganização do campo progressista.
Opinião
A realidade política de Santa Catarina demonstra que a esquerda ainda enfrenta muitos obstáculos em um estado onde a direita se consolidou fortemente, exigindo uma estratégia inovadora para conquistar o eleitorado conservador.





