O Brasil enfrenta um desafio crescente em relação ao pistache, uma das especiarias mais caras do mundo, importando atualmente 100% do que consome. No entanto, a Serra da Ibiapaba, no Ceará, foi escolhida como a área ideal para testes de cultivo, visando a produção nacional.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec) pretende transformar o estado em pioneiro na produção de pistache. O presidente da Faec, Amilcar Silveira, afirmou: “Queremos fazer um campo experimental de pistache e tornar o estado o primeiro produtor nacional dessa cultura exótica”.
Desafios e perspectivas para o cultivo
De acordo com a Embrapa, o pistacheiro é uma planta que se desenvolve em climas quentes, mas requer períodos de frio. O ciclo produtivo do pistache dura cerca de 10 anos, e a árvore pode produzir por até um século, se bem manejada. O chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical, Gustavo Saavedra, destaca que a temperatura noturna na serra, que chega a 15°C, é insuficiente, pois o pistacheiro precisa de temperaturas abaixo dos 10°C.
A Embrapa planeja iniciar um cultivo experimental em 2027, mas a pesquisa para desenvolver variedades adaptadas à região pode levar de 10 a 15 anos. Este projeto depende da obtenção de material genético dos Estados Unidos e da autorização do Ministério da Agricultura.
Importação crescente e controle rigoroso
Atualmente, o Brasil importou mais de 1.000 toneladas de pistache em 2024, com os Estados Unidos e o Irã liderando a produção global. A fiscalização é rigorosa, com amostras sendo coletadas para garantir a conformidade sanitária, especialmente em relação a aflatoxinas, conforme explica a auditora Ludmilla Verona.
O pistache também é valorizado por seu perfil nutricional, oferecendo mais de 6 gramas de proteínas por porção de 30 gramas. A nutricionista Danila Almeida destaca que a oleaginosa é rica em gorduras saudáveis, o que potencializa seu apelo no mercado.
Opinião
A busca pela produção nacional de pistache na Serra da Ibiapaba é um passo importante para reduzir a dependência de importações e atender a uma demanda crescente por este produto no Brasil.





