A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, anunciou em 10 de novembro que um fundo de investimentos apresentou uma proposta de R$ 15 bilhões para adquirir parte dos ativos do Banco Master, que foram incorporados pelo Banco de Brasília (BRB). Essa movimentação ocorre em meio a uma crise enfrentada pela instituição, que gerou desconfiança no mercado.
Segundo informações do governo local, a operação ainda depende do aval técnico e regulatório do Banco Central (BC). Em nota, o GDF destacou que a negociação não envolverá uso de recursos públicos e não comprometerá o caixa do banco, com o intuito de “preservar os interesses do DF”.
Crise e Investigação
A proposta surge em um contexto de crise de confiança do BRB, resultado de prejuízos significativos após a compra de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez do Banco Master. Atualmente, a Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na aquisição de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do banco. A governadora Celina Leão, que era vice-governadora durante a negociação, assumiu o comando do Executivo após a saída de Ibaneis Rocha para concorrer ao Senado.
O BRB havia tentado adquirir o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central, que posteriormente liquidou o banco e enviou as suspeitas de fraudes à Polícia Federal.
Detalhes da Proposta
De acordo com o GDF, o plano dos investidores envolve um pagamento de R$ 4 bilhões à vista e R$ 11 bilhões em instrumentos financeiros relacionados aos ativos negociados. Contudo, os detalhes sobre esses instrumentos ainda não foram divulgados.
Embora o anúncio tenha sido feito, vários pontos permanecem indefinidos, como a identidade dos investidores do fundo, os ativos específicos incluídos na negociação, a possibilidade de desconto sobre o valor total dos ativos e a necessidade de aprovação pela Câmara Legislativa do DF.
Necessidades Financeiras do BRB
A venda dos ativos ocorre após a aquisição de carteiras do Banco Master, resultando em uma forte deterioração patrimonial para o BRB. A instituição estima que precisará provisionar cerca de R$ 8,8 bilhões, enquanto uma auditoria forense independente apontou a necessidade de R$ 13 bilhões. Os ativos considerados saudáveis adquiridos do Master estão avaliados em R$ 21,9 bilhões.
Próximos Passos
A proposta será formalmente encaminhada ao Banco Central, que analisará a viabilidade da operação. Recentemente, Celina Leão e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniram com investidores e autoridades do setor financeiro em São Paulo. Na manhã de 9 de novembro, a governadora se encontrou com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para discutir o plano de recuperação do banco, mas não forneceu detalhes sobre o encontro.
Opinião
A proposta de aquisição dos ativos do BRB é um passo importante, mas a transparência nas negociações e a resolução das investigações são cruciais para restaurar a confiança na instituição.





