O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, ameaçando deixar o acordo de cessar-fogo anunciado na véspera pelos EUA. Essa decisão vem após Israel realizar a maior ofensiva contra a milícia xiita Hezbollah, no Líbano, desde o início da guerra.
Teerã também sugeriu que pode retomar os ataques contra os vizinhos do Golfo Pérsico se a ofensiva israelense não for suspensa. O fechamento do estreito, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, interrompeu momentaneamente o alívio do mercado de energia, que havia reagido à trégua.
O barril do petróleo tipo Brent, que chegou a cair 13,28%, foi negociado à noite perto dos US$ 97. A condição básica do acordo entre EUA e Irã previa a liberação da passagem em troca da paralisação dos ataques americanos e israelenses ao território iraniano.
Confusão nas negociações
A situação ficou confusa com a declaração do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que o país aceitaria a trégua, mas que considerava que o acordo não incluía o Líbano. O premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou a trégua, confirmou que o Líbano estava no acordo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o plano de dez pontos apresentado pela mídia estatal iraniana não era uma lista de condições impostas pela força militar americana. O Irã, que alega que seus planos atômicos são pacíficos, nega ter aceitado exigências como a entrega de 440 quilos de urânio enriquecido.
Retórica de guerra
O comandante das forças aeroespaciais da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, afirmou que um ato de agressão contra o Hezbollah é um ato de agressão contra o Irã. Enquanto isso, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou os relatos de fechamento do estreito como falsos, embora a empresa de rastreamento de navios Kpler tenha informado que nenhum petroleiro cruzou o estreito desde a trégua.
Apesar das ameaças mútuas, EUA e Irã acreditam que a trégua pode se manter. A economia iraniana já estava fragilizada antes dos ataques, e o custo de uma nova hostilidade poderia ser politicamente inaceitável para Trump, que enfrenta uma eleição legislativa crucial em novembro.
Próximos passos nas negociações
O governo Trump anunciou o vice-presidente J.D. Vance como representante nas negociações diretas que ocorrerão na sexta-feira em Islamabad. Ao mesmo tempo, a situação no Golfo se agravou com dezenas de ataques com mísseis e drones iranianos. Uma refinaria de petróleo em Lavan foi atingida por inimigos não especificados.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, classificou o cessar-fogo como uma vitória para Washington, enquanto o Irã também sinalizou estar pronto para retomar o conflito. O país pode exigir pedágios em criptomoedas para petroleiros que atravessem o Estreito de Ormuz.
Opinião
A complexidade das relações entre EUA, Irã e Israel mostra que a paz na região ainda é um objetivo distante, e a tensão pode explodir a qualquer momento.





