Parece que as fabricantes chinesas repensaram a estratégia no Brasil. Neste início de 2026, marcas como GWM, GAC e Caoa Changan decidiram avançar sobre o mercado de carros a combustão para ampliar sua participação nacional. Elas já oferecem SUVs e picapes movidos a gasolina e diesel, visando os 80% de consumidores que ainda não migraram para os elétricos.
A guinada estratégica responde a um cenário onde os carros eletrificados, embora em crescimento, ainda representam apenas 15% das vendas totais. As montadoras perceberam que os carros a combustão ainda ocupam a maior parte do mercado brasileiro e, para brigar por essa parcela, querem apostar no volume de vendas que antes era dominado por marcas veteranas.
Pressão Tributária e Oportunidade
Para especialistas, os chineses usaram a tecnologia elétrica como vitrine para construir reputação no mercado. Agora, eles podem aproveitar o excedente de produção na China para inundar o mercado brasileiro com modelos convencionais bem equipados e preços competitivos. Vale lembrar que o movimento ocorre em um momento de pressão tributária, uma vez que os carros a combustão da China têm imposto de importação pleno, que chega a 35%, semelhante à alíquota cobrada pelos elétricos.
CAOA Changan e a Produção Nacional
O CAOA Changan Uni-T é produzido nacionalmente na versão a combustão. Segundo Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, “eles trazem como uma forma de aumentar sua penetração. Há produtos de baixíssimo custo lá na China e podem vir aqui para o Brasil com esses veículos. Podem carregar mais nos equipamentos.” Essa estratégia busca atingir o público de entrada, que ainda enfrenta dificuldades com a infraestrutura de carregamento.
Opinião
A mudança de foco das montadoras chinesas para os carros a combustão reflete uma adaptação necessária ao mercado brasileiro, que ainda não está totalmente preparado para a transição elétrica.





