O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, prestou depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado Federal, revelando detalhes sobre a reunião realizada em dezembro de 2024 com o presidente Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Durante a reunião, Vorcaro alegou estar sendo perseguido pela concorrência, afirmando que o sistema financeiro é muito concentrado e que suas inovações estavam incomodando o mercado.
Detalhes da Reunião
Na ocasião, além de Vorcaro, estavam presentes o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Galípolo, que recebeu a convocação para comparecer ao Planalto antes de ser nomeado, destacou que a narrativa de perseguição não era muito aderente à realidade, considerando o tamanho do Banco Master.
Credenciamento e Liquidação do Banco Master
Galípolo também explicou o processo de credenciamento do Banco Master no Sistema Financeiro Nacional, que teve início em fevereiro de 2019 e culminou com a autorização em outubro do mesmo ano, durante a presidência de Roberto Campos Neto. A liquidação extrajudicial do Banco Master ocorreu em novembro de 2025, em meio às investigações da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Vorcaro.
Investigação do TCU
O Tribunal de Contas da União (TCU) está investigando a conduta dos servidores do BC nesse processo. Um dos pontos controversos foi o sigilo de oito anos imposto ao procedimento, que Galípolo defendeu como necessário para evitar anulações judiciais.
Opinião
A reunião entre Lula, Galípolo e Vorcaro expõe as complexidades do sistema financeiro e as tensões entre concorrência e regulação, revelando um cenário que ainda promete desdobramentos significativos.





