Política

Unifesp revela cela onde ditadura forjou suicídio de Vladimir Herzog

Unifesp revela cela onde ditadura forjou suicídio de Vladimir Herzog

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou a cela em que agentes da ditadura militar simularam o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975. O local exato, situado no DOI-Codi de São Paulo, foi confirmado por evidências documentais e periciais.

Identificação do Local

A cela, localizada no primeiro andar do prédio na Rua Tutóia, 921, foi identificada após mais de 50 anos de incertezas. A pesquisa foi coordenada por Deborah Neves, Cláudia Plens e Alessandro Sbampato, que utilizaram métodos de arqueologia forense e análise histórica para chegar a essa conclusão.

Relevância Histórica

Deborah Neves destacou a importância da identificação do local, afirmando que isso demonstra a materialidade das fraudes cometidas pelos agentes do Estado. “Localizar materialmente o espaço onde a ditadura encenou o falso suicídio de Vladimir Herzog permite demonstrar, com base em evidências científicas, a materialidade de fraudes cometidas por agentes do Estado”, afirmou.

Detalhes da Pesquisa

A análise revelou que Herzog foi encontrado pendurado com marcas de tortura, em uma cela que tinha características compatíveis com as imagens da época. A pesquisa incluiu a comparação de fotos históricas e laudos periciais, que apontaram que os corpos de Herzog e de José Ferreira de Almeida, outro militante assassinado, foram encontrados na mesma cela.

Condições do Local

Os pesquisadores encontraram elementos construtivos que corroboraram a identificação da cela, como um ferrolho visível em imagens de 1975. A preservação das características estruturais foi fundamental para a confirmação do local.

Opinião

A descoberta do local exato do assassinato de Vladimir Herzog é um passo importante para a justiça histórica e a memória coletiva do Brasil.