Política

Comissão de Anistia reconhece Marçal de Souza Tupã-Y como anistiado político em Brasília

Comissão de Anistia reconhece Marçal de Souza Tupã-Y como anistiado político em Brasília

Entre os dias 25 e 27 de março de 2026, em Brasília (DF), a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) analisou 146 pedidos de anistia política. Dentre eles, destacou-se o requerimento em nome de Marçal de Souza Tupã-Y, um importante líder indígena da etnia Guarani Ñandeva e servidor da Funai.

O colegiado, por unanimidade, reconheceu Marçal como anistiado político, um ato que simboliza a luta e resistência dos povos indígenas no Brasil. Em seu discurso, a ministra Macaé Evaristo pediu desculpas em nome do Estado à família de Marçal e às lideranças indígenas presentes, ressaltando a importância da memória e da verdade na construção da justiça histórica.

Um Caso de Violência e Resistência

Marçal de Souza Tupã-Y foi assassinado em 1983 por fazendeiros que se opunham à sua luta pela demarcação de terras indígenas. Sua trajetória se tornou um símbolo da resistência indígena, destacando-se pela defesa dos direitos dos povos originários e pela denúncia de violações. Ele foi uma voz ativa na criação da União das Nações Indígenas e seu discurso ao Papa João Paulo II, em 1980, marcou uma importante denúncia sobre a invasão do Brasil.

Durante a sessão, um momento marcante foi a reza Guarani, conduzida por familiares de Marçal, que simbolizou a conexão espiritual e a luta contínua dos povos indígenas. A filha de Marçal, Edna Silva de Souza, emocionou-se ao relatar a trajetória de seu pai, enfatizando que ele lutava não apenas pelos indígenas, mas por todos os marginalizados no Brasil.

Compromisso do Estado com a Não Repetição

A ministra Evaristo enfatizou que a reparação histórica deve ser acompanhada de políticas públicas que evitem a repetição de tais violações. “Não há Brasil sem os povos indígenas”, afirmou, destacando o compromisso do Estado com a memória, verdade e justiça.

Opinião

O reconhecimento de Marçal de Souza Tupã-Y como anistiado político é um passo significativo na luta pela justiça e pela valorização da resistência indígena no Brasil.