Economia

Clemente Ganz Lúcio alerta: fim da jornada 6×1 pode elevar custos e preços na economia

Clemente Ganz Lúcio alerta: fim da jornada 6x1 pode elevar custos e preços na economia

O fim da jornada de 6 dias de trabalho por 1 de folga, se aprovado, trará impactos significativos nos preços relativos da economia, conforme especialistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Inicialmente, os custos das empresas devem subir, uma vez que as horas trabalhadas diminuirão e os salários não poderão ser reduzidos.

No médio prazo, o mercado se ajustará à nova realidade, semelhante ao que ocorreu em 1988, quando a jornada de trabalho foi reduzida de 48 para 44 horas semanais. A inflação também deverá aumentar a curto prazo, segundo o sociólogo e coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lúcio. Com um dia a mais de folga, os trabalhadores tendem a consumir mais, o que exigirá do setor produtivo um aumento na produção e, consequentemente, mais contratações.

Impacto Variável por Setor

De acordo com Clemente Ganz Lúcio, essa dinâmica pode gerar um saldo positivo para a economia. O sócio da Valor Investimentos, Daniel Teles Barbosa, também acredita que a mudança na jornada de trabalho afetará os preços, promovendo uma melhora na massa salarial. Setores que não podem interromper suas atividades aos fins de semana terão que buscar alternativas, como a reposição nos dias de folga ou o pagamento de horas extras.

Num cenário de mercado de trabalho superaquecido, onde plataformas e aplicativos oferecem rendas mais atrativas, o setor formal precisará melhorar salários e benefícios para atrair trabalhadores informais. Atualmente, um motorista de aplicativo pode ganhar entre R$ 6 mil e R$ 9 mil por mês.

Desafios para Micro e Pequenas Empresas

O impacto do fim da jornada 6×1 variará de 0,5% a 6,5% por setor, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Empresas maiores, mais automatizadas, sentirão menos pressão em comparação às micro e pequenas, que enfrentam desafios para se adaptar. Joseph Couri, presidente do Simpi, afirma que a redução da jornada é uma tendência global e defende melhorias nas condições de trabalho, além de incentivos para a automação nas micro e pequenas empresas.

Enquanto grandes associações questionam a viabilidade da mudança em um país com baixa produtividade e escassez de mão de obra, Couri acredita que, ao pagar o que o trabalhador merece, a mão de obra se tornará disponível. Ele ressalta que o impacto não será generalizado, pois muitas empresas já operam com jornadas de 40 horas semanais. O presidente do Simpi conclui que quanto menos mecanizado for um segmento, maior será o impacto do fim da jornada 6×1 sobre seus custos.

Opinião

A discussão sobre o fim da jornada 6×1 revela a necessidade de um equilíbrio entre a melhoria das condições de trabalho e a viabilidade econômica das empresas, especialmente das menores.