Geral

ONU revela que mulheres enfrentam desigualdade no acesso à água potável

ONU revela que mulheres enfrentam desigualdade no acesso à água potável

O Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, publicado em 19 de outubro, revela que as desigualdades de gênero continuam a comprometer a segurança hídrica mundial, afetando desproporcionalmente mulheres e meninas. Apesar de serem as principais responsáveis pela coleta de água, elas permanecem excluídas da gestão e dos cargos de liderança no setor hídrico.

O relatório, divulgado pela Unesco em nome da ONU-Água, aponta que as mulheres são responsáveis pela coleta de água em mais de 70% dos domicílios rurais sem acesso a serviços adequados. O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, enfatiza a importância da participação feminina na gestão hídrica como um fator essencial para o desenvolvimento sustentável.

Impactos da Coleta de Água

As estatísticas são alarmantes: 2,1 bilhões de pessoas ainda não têm acesso a água potável segura, e as mulheres e meninas são as mais afetadas. Elas gastam um total de 250 milhões de horas diariamente coletando água, um tempo que poderia ser utilizado para educação ou geração de renda. Além disso, meninas menores de 15 anos têm 7% de probabilidade de buscar água, em comparação a 4% dos meninos.

A situação se agrava com a falta de instalações sanitárias adequadas, que impactam negativamente a vida de mulheres e meninas, especialmente em áreas urbanas e rurais. Entre 2016 e 2022, 10 milhões de adolescentes faltaram à escola devido a dificuldades de higiene menstrual, revelando a urgência de abordar essas questões.

Desigualdades de Gênero e Propriedade

As desigualdades de gênero na posse de terras também influenciam o acesso à água. Muitas vezes, os direitos à água estão atrelados aos direitos à terra, colocando as mulheres em desvantagem social e econômica. Em diversos países, homens possuem o dobro de terras em comparação às mulheres, o que limita o acesso feminino à água para usos produtivos.

O relatório sugere ações para promover a igualdade, como eliminar barreiras legais e financeiras aos direitos das mulheres, investir em dados desagregados por sexo e fortalecer a liderança feminina no setor hídrico.

Opinião

É crucial que as políticas públicas reconheçam e abordem as desigualdades de gênero no acesso à água, garantindo que mulheres e meninas possam exercer plenamente seus direitos e contribuir para o desenvolvimento sustentável.