O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados adiou, mais uma vez, a votação das representações nº 24/2025 e 26/2025 contra o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS). O adiamento ocorreu em reunião realizada em 3 de abril de 2025 e pode levar ao afastamento ou até à perda do mandato do parlamentar sul-mato-grossense.
A decisão de adiar a votação foi tomada pelo presidente do Conselho, o deputado federal Fabio Schiochet (União Brasil-SC). As representações foram apresentadas pela Mesa Diretora da Casa e são motivadas por conduta considerada incompatível com o decoro parlamentar, que ocorreu durante uma ocupação do plenário em agosto de 2022.
Ocorrências no Plenário
Durante a ocupação, Pollon ofendeu o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e obstruiu a Mesa Diretora. Ele se referiu a Motta de maneira ofensiva e fez chacotas sobre sua altura, o que gerou duas representações contra ele. A primeira foi por ofender a presidência da Câmara, e a segunda por obstruir os trabalhos legislativos.
A votação anterior das representações foi interrompida em 12 de dezembro de 2025, após a ausência de Pollon, que apresentou atestado médico. O relator das representações é o deputado federal Ricardo Maia (MDB-RN), que já havia se dedicado ao caso em audiências anteriores.
Críticas ao Adiamento
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) criticou o adiamento, considerando-o um ato protelatório. Ele argumentou que o pedido de retirada de pauta não se justificava, uma vez que o relator havia se empenhado no processo. Alencar destacou que o Conselho de Ética não parece disposto a zelar pela ética parlamentar.
Apesar da crítica, o Conselho aprovou o requerimento de retirada de pauta por maioria, o que foi celebrado por Pollon. Ele agradeceu publicamente o apoio de familiares de presos políticos, reforçando seu compromisso com a causa.
Retaliação e Irregularidades
Pollon afirmou que as representações são retaliações por sua atuação em favor da anistia, alegando que sua conduta está amparada pelo direito à livre manifestação do pensamento. Ele denunciou abusos contra os presos políticos e criticou as irregularidades no processo, como a proibição de suas testemunhas de depor.
O deputado também mencionou que o Conselho de Ética acumulou diversas irregularidades durante o julgamento, levando até mesmo o Conselho Federal da OAB a acompanhar o caso.
Opinião
A situação envolvendo Marcos Pollon e o Conselho de Ética levanta questões sobre a ética parlamentar e o devido processo, refletindo a complexidade das relações políticas no Brasil.





