Eleições

Cláudio Castro tenta adiar julgamento no TSE e pode renunciar antes da decisão

Cláudio Castro tenta adiar julgamento no TSE e pode renunciar antes da decisão

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), esteve em Brasília nesta terça-feira (17) buscando reverter o cenário desfavorável que enfrenta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele é réu em um processo que investiga abuso de poder político e econômico, conhecido como Caso Ceperj. O julgamento está paralisado após o pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques, e atualmente o placar é de 2 a 0 em favor da condenação de Castro.

O governador é acusado de contratar irregularmente 27,5 mil funcionários temporários no Ceperj e 18 mil funcionários na Uerj, com o objetivo de atuar como cabos eleitorais nas eleições de 2022, onde foi reeleito em primeiro turno. O julgamento está agendado para ser retomado no dia 24 de outubro, uma data escolhida em um acordo entre Nunes Marques e a presidente do TSE, Cármen Lúcia.

O entorno de Castro considera que o pedido de vista de Nunes Marques era esperado, mas o governador acreditava que o ministro poderia prorrogar o prazo para análise, permitindo que ele renunciasse apenas no início de abril, dentro do prazo de desincompatibilização para concorrer ao Senado em outubro. No entanto, a remarcação do julgamento para o dia 24 pegou o governador de surpresa.

A visita de Castro a Brasília é parte de seus esforços para adiar o julgamento, seja com Nunes Marques solicitando mais tempo ou conseguindo que outro ministro peça vista. Contudo, aliados do governador acreditam que as chances de sucesso estão diminuindo, aumentando a expectativa de que ele possa renunciar antes do julgamento.

No último dia 13, Castro se reuniu com a cúpula do PL fluminense no Palácio Laranjeiras, onde ficou decidido que ele tentaria ganhar mais tempo no TSE. Se não obtiver sucesso, a renúncia se tornaria uma opção para evitar a cassação e garantir que a sucessão do mandato-tampão permaneça sob controle do partido, já que, caso seja cassado seis meses antes do fim do mandato, uma nova eleição direta seria necessária. Se renunciar, o sucessor será escolhido de forma indireta pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), onde o PL possui maioria.

A avaliação entre os dirigentes do partido é de que é improvável que Castro escape da condenação, dado que faltam apenas dois votos para a maioria. O governador busca, assim, prorrogar ao máximo a sentença para adiar sua inelegibilidade e poder concorrer ao Senado. Não foi definida uma data limite para Castro tentar ganhar mais tempo, mas há uma expectativa de que ele possa decidir seu futuro entre os dias 18 e 19.

Opinião

A situação de Cláudio Castro evidencia a complexidade da política no Rio de Janeiro e os desafios enfrentados por líderes em meio a processos judiciais que podem impactar suas carreiras.