Tecnologia

Governo Federal adia compra de supercomputador de R$ 1,8 bi por falta de infraestrutura

Governo Federal adia compra de supercomputador de R$ 1,8 bi por falta de infraestrutura

O governo federal adiou a compra do supercomputador que será fundamental para o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que inicialmente tinha previsão de edital para outubro de 2025. O novo prazo agora é para o fim de março ou início de abril de 2026, devido a problemas de infraestrutura e à definição do local de instalação da máquina.

O projeto, conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é considerado a principal peça do plano nacional para ampliar a capacidade tecnológica do país. O custo estimado do supercomputador é de R$ 1,8 bilhão, dentro de um pacote maior de aproximadamente R$ 23 bilhões em investimentos até 2028.

Infraestrutura e Localização

O secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI, Henrique Miguel, explicou que o prédio precisa suportar uma carga por centímetro quadrado muito grande, o que limita as opções de data centers capazes de abrigar um equipamento dessa natureza. A primeira opção analisada era o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis, no Rio de Janeiro, mas foi descartada devido ao alto custo de energia e limitações da rede elétrica.

A principal alternativa atualmente em estudo é a instalação do supercomputador em um data center da Telebras, em Brasília, que possui infraestrutura elétrica mais robusta e está situado em terreno pertencente à União. O supercomputador atualmente em uso é o Santos Dumont, também no LNCC, utilizado por universidades e centros de pesquisa para simulações complexas.

Objetivos do PBIA

Com a nova estrutura prevista no PBIA, o governo espera ampliar significativamente a capacidade de processamento, reduzindo o tempo necessário para tarefas como o treinamento de modelos de inteligência artificial, que atualmente podem levar dias. O plano também inclui a criação de uma infraestrutura nacional para processamento de dados sensíveis do Estado, utilizando o supercomputador como base para uma nuvem governamental própria.

Essa nuvem poderá armazenar e processar informações de órgãos públicos estratégicos, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Petrobras. O secretário Henrique Miguel salientou que, sem capacidade própria, o Brasil corre o risco de se tornar dependente de tecnologias e plataformas externas.

Opinião

O adiamento da compra do supercomputador destaca a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura tecnológica no Brasil, essencial para o avanço da inteligência artificial no país.