Membros do governo brasileiro estão trabalhando para relativizar as reivindicações feitas por Washington nas negociações sobre cooperação entre Brasil e EUA no combate ao narcotráfico e a organizações criminosas transnacionais. A assinatura desse acordo, que está em discussão, seria o principal anúncio da visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos, que foi adiada para abril ou maio.
Fontes do Itamaraty informaram que as propostas da Casa Branca, reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo, são vistas com naturalidade, pois fazem parte das negociações sobre o combate às organizações criminosas, um interesse mútuo. Entre as propostas, os EUA sugeriram que o Brasil receba estrangeiros capturados em seu território, similar ao que ocorre em El Salvador. Contudo, o governo brasileiro rechaçou essa possibilidade, afirmando que “o Brasil não vai virar El Salvador”.
O Brasil continuará a receber brasileiros deportados que estavam em situação ilegal nos Estados Unidos, mas a recepção de estrangeiros deportados foi descartada. Um diplomata que acompanha as discussões mencionou que as propostas são parte de um “processo organizado” e não devem ser vistas como exigências.
Combate ao narcotráfico e organizações criminosas
As autoridades americanas também solicitaram ao Brasil um plano para desmantelar organizações criminosas com atuação internacional, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV), além de grupos como o Hezbollah e organizações chinesas. Outra solicitação inclui o compartilhamento de informações, incluindo dados biométricos de estrangeiros que buscam refúgio no Brasil.
No entanto, o governo brasileiro se opõe à ideia de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que não foi proposto pelos EUA. As discussões se concentram em uma ajuda mútua para combater esses grupos, mas o compartilhamento de informações biométricas encontra barreiras na Lei Geral de Proteção de Dados, em vigor desde 2018.
A proposta brasileira também inclui o combate à lavagem de dinheiro, especialmente no que diz respeito a brasileiros que transferem recursos para empresas de fachada em Delaware, um conhecido paraíso fiscal americano.
Opinião
A negociação entre Brasil e EUA é um passo importante, mas é crucial que o Brasil mantenha sua soberania e proteja seus cidadãos.






