O dólar à vista registrou uma forte valorização frente ao real nesta sexta-feira, refletindo a aversão global a ativos de risco. O movimento foi impulsionado pelas incertezas em torno dos conflitos no Oriente Médio, que levaram operadores a reduzir posições e buscar proteção cambial.
Na última sessão antes do fim de semana, o preço do petróleo chegou a encostar em US$ 120 o barril, o que também influenciou a dinâmica do mercado. O dólar comercial valorizou 1,37%, fechando cotado a R$ 5,3142, após ter atingido uma mínima de R$ 5,2164 e uma máxima de R$ 5,3242. Este foi o maior nível de fechamento desde 21 de janeiro, quando a moeda terminou a R$ 5,3802.
Na semana, a moeda avançou 1,34%. O euro comercial também apresentou apreciação de 0,56%, finalizando a R$ 6,0695, apesar de ter recuado 0,24% na semana. O real teve um dos cinco piores desempenhos do dia, ao lado de outras moedas emergentes como o wonsul-coreano e o florim da Hungria.
O índice DXY também apreciou 0,74%, atingindo 100,483 pontos. No início da sessão, o dólar chegou a mostrar desvalorização, mas ganhou força ao longo da manhã, em parte devido a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a negativa de visto a um assessor de Donald Trump que visitaria o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar dessa menção, profissionais do mercado destacaram que o real apenas acompanhou a tendência global. A piora nos juros futuros, com ordens de stop loss, também pressionou o câmbio. Um gestor comentou que, embora o real tenha seguido a tendência dos emergentes, a pressão intensa nos juros chamou atenção, contribuindo para o movimento de valorização do dólar.
O Bank of America (BofA) indicou que, se os mercados de energia se normalizarem em cerca de um mês, o real poderá se destacar entre outras moedas emergentes. A operação de ‘casadão’, que envolveu a venda de dólares no mercado à vista e a compra no mercado futuro, movimentou US$ 1 bilhão e foi uma resposta às condições do mercado.
O Goldman Sachs observou que algumas moedas, incluindo o real, se beneficiam de preços mais altos do petróleo e esperam que o Banco Central adote uma postura mais hawkish na próxima semana.
Opinião
A recente valorização do dólar reflete não apenas fatores internos, mas também a dinâmica global, e pode indicar um cenário desafiador para o real nos próximos dias.






