O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), autorizou o compartilhamento de informações sobre a atuação da Corte na liquidação do Banco Master com a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Mesmo documentos sigilosos serão enviados aos parlamentares, conforme decisão unânime do TCU.
O pedido para o compartilhamento foi feito pelo senador Renan Calheiros, presidente da CAE, e acatado pelo ministro em seu voto relatado nesta quarta-feira (11). Jhonatan de Jesus recomendou que o Senado mantenha sigilo sobre os documentos recebidos.
Investigação em curso
A atuação do ministro no caso Master gerou uma série de questionamentos por parte do Banco Central, parlamentares, membros do Executivo e até outros ministros do TCU. Desde o final do ano passado, Jhonatan de Jesus solicitou informações ao BC sobre a liquidação do Master e, em várias ocasiões, ameaçou interferir no processo de venda de ativos.
Em fevereiro, o ministro restringiu o acesso integral do BC ao caso, obrigando a autarquia a peticionar para cada acesso que desejasse fazer ao processo, com a palavra final sempre sendo de Jhonatan de Jesus. A área técnica do TCU já havia concluído que não houve falhas ou inação por parte do BC na liquidação do Banco Master.
Operação da Polícia Federal
Na última semana, a Polícia Federal deflagrou uma operação que investiga se dois servidores do BC, incluindo Paulo Souza, ex-diretor de fiscalização, atuaram em favor do Master. As investigações surgiram após mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, que foi preso pela PF.
Além disso, o Banco Central teve uma perda significativa de R$ 12,837 bilhões com swaps, o que aumenta a tensão em torno da liquidação do Banco Master e das decisões tomadas pelo TCU.
Opinião
A decisão do ministro Jhonatan de Jesus e o compartilhamento de informações com o Senado são passos importantes para a transparência no processo de liquidação do Banco Master, mas a investigação da Polícia Federal traz à tona preocupações sobre a integridade das ações do Banco Central.






