O combate a uma gigantesca voçoroca em Nova Andradina, que já “engoliu” mais de R$ 8 milhões em recursos públicos somente nos últimos cinco anos, vai consumir mais R$ 19,2 milhões em uma nova tentativa do Governo do Estado para tentar conter a erosão.
Em publicação do diário oficial desta terça-feira (3), a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) anunciou a abertura de uma licitação para investir até R$ 19.288.728,80 em obras de reconformação de bacias e contenção de processos erosivos na região do bairro Horto Florestal.
Histórico de Investimentos
Os problemas causados pela erosão são antigos e as tentativas para fazer seu controle também não são de agora. Em 2021, o Governo do Estado pavimentou quase 23 quilômetros da MS-473, ligando a área urbana de Nova Andradina ao Instituto Federal. Essa rodovia passa por cima da voçoroca. Na época, cerca de R$ 3,5 milhões foram gastos somente nas obras de drenagem e contenção da água das chuvas nas imediações da rodovia.
A obra de pavimentação da MS-473 foi concluída no fim de 2021, mas alguns meses depois, a rodovia desmoronou em dois pontos diferentes. Por conta desses desmoronamentos, uma obra emergencial de R$ 4,6 milhões foi anunciada pelo Agesul.
Desastres Ambientais
O deputado estadual Roberto Hashioka (União Brasil), que já foi prefeito de Nova Andradina por três mandatos, afirmou que “temos ali um dos maiores desastres ambientais de Mato Grosso do Sul“. Em abril de 2023, uma pequena chuva danificou a obra, colocando em risco a integridade da rodovia e a segurança dos usuários.
Hashioka questionou a qualidade da obra e se havia algum seguro ou garantia para a barragem. Um ano e meio após esses questionamentos, a nova obra será justamente para intervir na região de onde começa a escoar a água que dá origem à erosão, no bairro Horto Florestal. As propostas das empreiteiras interessadas devem ser abertas no dia 20 de março.
Outras Voçorocas
A megaerosão que insiste em danificar a rodovia é apenas uma das voçorocas em Nova Andradina. Outra grande voçoroca está localizada nas imediações do bairro Argemiro Ortega e, apesar de várias intervenções, chegou a engolir uma casa em dezembro de 2020, quando várias famílias tiveram que abandonar seus imóveis.
Em dezembro de 2020, a erosão no bairro Argemiro Ortega abriu uma cratera de 18 metros de profundidade em pleno perímetro urbano, e foram despejados 400 caminhões de terra para aterrar o local e reconstruir trechos das ruas destruídas.
Opinião
O investimento contínuo do governo é um reflexo da gravidade da situação, mas a eficácia das obras ainda é questionada pela população.






