Santa Catarina

Sobreviventes de Juiz de Fora cobram ação da prefeitura após tragédia com mais de 60 mortos

Sobreviventes de Juiz de Fora cobram ação da prefeitura após tragédia com mais de 60 mortos

Após as fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora, mais de 60 mortos foram registrados, levando sobreviventes e especialistas a exigirem uma ação efetiva da prefeitura. A cidade, que enfrenta um grave problema de áreas de risco, precisa implementar um plano que oriente a população sobre como agir durante eventos climáticos extremos.

As chuvas, que resultaram em um acumulado de 749 mm até 25 de fevereiro, foram um dos eventos mais extremos da história do município. No Jardim Parque Burnier, uma das regiões mais afetadas, mais de 20 mortos foram contabilizados, com mais de 10 pessoas resgatadas de escombros. Os sobreviventes, como o pedreiro Danilo Frates, relataram a falta de aviso e a ineficiência do sistema de alerta da Defesa Civil.

Falta de alertas e comunicação

Frates afirmou que não recebeu nenhum aviso de alerta e questionou a lentidão da resposta da prefeitura. Ele ressaltou que, se houvesse um sistema de emergência mais eficaz, muitas vidas poderiam ter sido salvas. Especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora também apontaram a necessidade de melhorar a comunicação e a organização para que a população saiba como agir em situações de risco.

A secretária de Desenvolvimento Urbano, Cidinha Louzada, defendeu que a prefeitura já possui um sistema de alerta por mensagens de texto, mas reconheceu que as sirenes não são adequadas para a topografia da cidade. Ela destacou que a população muitas vezes reluta em deixar suas casas, acreditando que estão seguras.

Desafios e soluções

Juiz de Fora é considerada a nona cidade do Brasil em risco de desastre geológico, com uma em cada quatro pessoas vivendo em áreas de risco. A prefeitura anunciou que o auxílio moradia foi aumentado de R$ 200 para R$ 1,2 mil e que várias obras estão em andamento, incluindo a instalação de um pôlder no bairro Industrial para conter enchentes.

Apesar das medidas, o volume de chuvas superou a capacidade das estruturas existentes, e as obras contratadas pela prefeitura ainda estão em fase de execução. O professor Jordan de Souza sugeriu a realocação habitacional de moradores em áreas de alto risco, já reconhecidas.

Opinião

A tragédia em Juiz de Fora evidencia a necessidade urgente de um sistema de alerta mais eficiente e de um planejamento urbano que priorize a segurança da população em áreas vulneráveis.