Cubanos que vivem em Havana relatam que o país enfrenta o “pior momento” desde o final de janeiro de 2023, com dificuldades crescentes devido ao endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. O aumento dos apagões, que agora chegam a durar até 12 horas, afeta cerca de 3,4 milhões de cubanos, enquanto os preços de produtos básicos como arroz e óleo disparam.
Aumento dos apagões e colapso elétrico
A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos, mãe de um filho de 9 anos, afirmou que os apagões em Havana se tornaram imprevisíveis e mais longos. “Antes, havia cerca de quatro horas sem energia por dia, mas agora ninguém sabe quantas horas podem ser. Hoje houve 12 horas de apagão”, desabafa Ivón.
O economista aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos, considera que o momento atual é o mais difícil que Cuba já enfrentou, superando até mesmo o ‘período especial’ da década de 1990, quando a queda do bloco socialista levou a uma grave crise econômica. “É o momento mais cruel e severo do que durante o período especial”, afirma Feliz.
Impacto econômico e aumento de preços
Os apagões afetam todos os serviços em Havana, incluindo água e internet, dificultando a vida cotidiana. Ivón Rivas observa que os preços de itens básicos aumentaram significativamente nas últimas semanas. “Arroz, óleo e carne de frango ficaram muito mais caros”, relata.
Com cerca de 80% da energia do país gerada por termelétricas, a nova medida do governo Trump reduziu a possibilidade de compra de petróleo, agravando ainda mais a situação. O bloqueio econômico contra a ilha já dura 66 anos, e a crise se intensificou com o impacto da pandemia de covid-19.
Transporte e mobilidade comprometidos
O transporte público em Havana já enfrentava dificuldades e agora está ainda mais reduzido. Ivón relata que as linhas oferecem apenas uma viagem pela manhã e outra à tarde, e algumas nem garantem isso. “O transporte privado se tornou inviável para muitos cubanos”, acrescenta.
Opinião
A situação em Cuba é alarmante, e as dificuldades enfrentadas pela população evidenciam a necessidade urgente de soluções que garantam a dignidade e os direitos básicos dos cubanos, que há anos sofrem com a escassez de recursos.






