O resultado do IPCA-15 de fevereiro, que apresentou uma alta de 0,84%, pegou os investidores de surpresa e gerou uma reprecificação nas expectativas quanto ao início do ciclo de cortes da taxa Selic. Este dado, que ficou acima do 0,20% registrado em janeiro, trouxe de volta a discussão sobre uma possível redução mais cautelosa da Selic pelo Banco Central em março, com um corte de apenas 0,25 ponto percentual.
Impacto no Mercado de Juros Futuros
Por volta das 13h00, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 disparou de 13,18% para 13,31%. Outros vencimentos também apresentaram alta, como o DI de janeiro de 2028, que subiu de 12,48% a 12,625%, e o DI de janeiro de 2029, que foi de 12,535% para 12,65%.
Expectativas de Corte da Selic
A leitura do IPCA-15 trouxe um impacto significativo nas expectativas do mercado. A probabilidade de um corte de 0,5 ponto percentual na Selic caiu de 83% para 74%, enquanto a chance de um corte menor, de 0,25 ponto percentual, aumentou de 12% para 23%. Para a decisão de juros de abril, a expectativa de um corte acelerado de 0,75 ponto recuou de 29% para 23%.
Fatores que Influenciam a Inflação
O economista Leonardo Costa, do ASA, afirmou que a leitura foi significativamente pior do que o esperado, o que exige cautela nas avaliações sobre o cenário inflacionário. Além disso, fatores sazonais, como o aumento das passagens de ônibus em várias capitais, o reajuste das mensalidades escolares e o aumento do ICMS sobre combustíveis em janeiro, contribuíram para essa pressão inflacionária.
Por sua vez, Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, destacou que, apesar do susto que o dado pode causar, não se deve considerar que esse é o novo normal da inflação no Brasil. Ele projeta um IPCA de 0,58% para fevereiro e uma Selic em 12,50%% no final do ano, acima do que o mercado atualmente precifica, que gira em torno de 12%.
Opinião
A alta do IPCA-15 de fevereiro revela a fragilidade do cenário econômico e a necessidade de atenção redobrada por parte dos investidores e do Banco Central ao definir os próximos passos na política monetária.






