Nos últimos anos, a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, da OpenAI, gerou apreensão entre profissionais que temem ser substituídos pela tecnologia. No entanto, especialistas apontam que a realidade é mais complexa do que os alarmes sugerem.
De acordo com o Future of Jobs Report do World Economic Forum, cerca de 60% das profissões atuais terão parte de suas tarefas automatizadas, mas uma parcela reduzida corre risco de automação total. O CEO da Impulso, Sylvestre Mergulhão, afirma que, na prática, as funções estão sendo redesenhadas e não eliminadas. “A parte mecânica do trabalho encolhe. A parte decisória cresce”, explica.
O que protege uma profissão da automação?
Especialistas concordam que algumas características tornam certas carreiras mais resistentes ao avanço da inteligência artificial. A inteligência social complexa e o julgamento ético são fatores cruciais. Profissões que exigem leitura de contextos emocionais e decisões sob incerteza, como juízes, bombeiros e diplomatas, continuam a demandar a presença humana.
O gerente regional do GitHub para o Brasil, Julio Viana, ressalta que “a IA pode apoiar esses processos, mas não substitui o julgamento humano”. Assim, setores como saúde, gestão de pessoas e educação estão entre os menos suscetíveis à automação total.
Setores menos suscetíveis à automação
1. Saúde: O cuidado direto e o julgamento clínico ainda dependem fortemente do fator humano. 2. Gestão de pessoas: Embora 75% dos profissionais de RH utilizem ferramentas de IA, as decisões relacionadas à cultura organizacional e gestão de conflitos exigem empatia. 3. Educação: A função do educador deve se transformar, focando mais no acompanhamento da aprendizagem. 4. Trabalho artesanal: Profissões como marcenaria e alta gastronomia são menos suscetíveis à automação. 5. Gestão de crises: Bombeiros e equipes de resgate atuam em contextos imprevisíveis. 6. Diplomacia: A confiança e a leitura de intenções políticas são domínios humanos. 7. Tecnologia: Áreas como desenvolvimento de software ainda necessitam de supervisão humana.
Opinião
A discussão sobre a automação no trabalho deve focar na adaptação e transformação das funções, em vez de alarmismos sobre substituições totais.






