O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta semana uma “incerteza relevante” quanto à continuidade de suas operações, indicando a possibilidade de fechamento das portas. O tradicional supermercado fez a declaração após a divulgação de suas demonstrações financeiras de 2025, em 24 de fevereiro de 2026.
Em uma nota publicada na Comissão de Valores Mobiliários e revisada pela auditoria Deloitte, o GPA destacou que a “persistência de prejuízos líquidos” gera “dúvidas significativas” sobre a capacidade da companhia de manter suas operações normais. O presidente do grupo, Alexandre Santoro, afirmou que o prejuízo é inaceitável para uma empresa de sua magnitude.
Desempenho Financeiro e Desafios
O balanço de 2025 revelou um prejuízo líquido total de R$ 824 milhões, embora tenha sido um resultado consideravelmente melhor que o rombo de R$ 2,41 bilhões registrado em 2024. O prejuízo do quarto trimestre de 2025 recuou 48% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 572 milhões.
Apesar dessa leve recuperação, o GPA enfrenta um déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão e pressões financeiras imediatas com R$ 1,7 bilhão em dívidas que vencem em 2026.
Medidas de Contingência
Para lidar com essa situação, a administração do GPA delineou um plano de contingência e anunciou a redução de seu plano de investimentos para 2026, que foi cortado pela metade para R$ 350 milhões. Além disso, a empresa está em processo de renegociação de contratos com credores.
Embora os indicadores operacionais mostrem sinais de recuperação, a auditoria enfatiza que a melhora ainda não é suficiente para dissipar as dúvidas sobre a liquidez necessária para honrar os empréstimos e debêntures no próximo ciclo.
Opinião
A situação do Grupo Pão de Açúcar levanta preocupações sobre a sustentabilidade do negócio em um mercado cada vez mais competitivo e desafiador.






