A liquidação do Banco Pleno, decretada em fevereiro de 2026 pelo Banco Central, desencadeou uma série de investigações que envolvem empresários baianos e levantam questões sobre a gestão financeira das instituições.
O Banco Central identificou que o modelo de negócio do Banco Pleno era insustentável, focando na captação de recursos através de CDBs com juros elevados, enquanto o principal ativo, o crédito consignado, não crescia o suficiente para honrar essas promessas. Isso levou ao colapso financeiro da instituição, que também afetou o Banco Master.
Investigações em curso
As investigações estão sendo conduzidas pela Polícia Federal e pela CPI do INSS, com foco nos empresários Daniel Vorcaro e Augusto Lima. Ambos estão em prisão domiciliar devido à Operação Compliance Zero, que apura fraudes em concessões de crédito. O senador Jacques Wagner (PT-BA) nega qualquer ligação com as fraudes do Banco Pleno.
Impactos financeiros
O colapso resultará em um pagamento estimado de R$ 40,6 bilhões para clientes do Banco Master e R$ 4,9 bilhões para aqueles do Banco Pleno. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá que realizar o maior desembolso de sua história, utilizando a garantia de até R$ 250 mil por CPF como argumento para atrair investidores, mesmo diante da deterioração financeira das instituições.
Histórico e criação do Credcesta
A ligação entre os bancos e políticos baianos remonta a 2018, durante o governo de Rui Costa, com a criação do Credcesta, um cartão de crédito que permitia desconto direto na folha de pagamento dos servidores. O modelo foi negociado por Augusto Lima diretamente com Jacques Wagner, o que facilitou a exclusividade do grupo no mercado.
Falhas na fiscalização
Especialistas apontam que houve falhas na fiscalização do sistema financeiro, com o Banco Central demorando a agir, mesmo após identificar inconsistências. A rapidez com que autorizou Lima a assumir o controle do Banco Pleno em 2025, em meio a denúncias de fraudes, também é alvo de críticas.
Opinião
A liquidação do Banco Pleno e as investigações associadas ressaltam a necessidade de uma revisão rigorosa dos mecanismos de fiscalização financeira no Brasil.
