A entrada em vigor da tarifa global de 15% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, amplia o cenário de instabilidade no comércio internacional e pode ser alvo de novos questionamentos judiciais. A avaliação é de Welber Barral, consultor em comércio internacional e ex-secretário de Comércio Exterior.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Barral explicou que a elevação tarifária americana ocorre em um contexto de aumento médio de tarifas no mundo, com países buscando proteger seus mercados diante da desaceleração das importações dos EUA e da sobra de produtos no comércio global.
Impacto das tarifas
Segundo Barral, o movimento de proteção visa evitar que produtos estrangeiros entrem no país a preços inferiores aos da produção doméstica. “O governo tenta manter uma parte da produção no Brasil e aumenta a tarifa para que não fique mais barato importar do que produzir aqui”, afirmou.
Barral destacou que há confusão em torno dos impactos da decisão da Suprema Corte dos EUA, que limitou o uso da Lei de Emergência Econômica (IEEPA) por Trump. Essa decisão atingiu a base legal de algumas tarifas unilaterais, incluindo a de 40% aplicada a determinados produtos brasileiros, mas não afetou outros instrumentos comerciais.
Quem arca com os custos?
O impacto das tarifas recai sobre o consumidor final. Barral afirmou que o exportador perde mercado quando enfrenta tarifas mais altas do que os concorrentes. O importador paga o tributo, o que pressiona seu fluxo de caixa e exige reajuste de preços. “O consumidor americano é que acaba pagando o impacto inflacionário”, disse.
A nova tarifa de 15% foi fundamentada na Seção 122 da legislação americana, que trata de balanço de pagamentos. Barral avalia que esse enquadramento pode ser questionado, já que o próprio decreto prevê exceções e anexos que excluem determinados produtos, além de acordos já firmados com 19 países. “Depois de 150 dias, os 15% perdem eficácia. É preciso o aval do Congresso”, explicou.
Resistência política e futuro das tarifas
Na avaliação de Barral, o ambiente de incerteza deve continuar. Ele afirmou que Trump enfrenta resistência inclusive dentro do Partido Republicano. “Hoje a avaliação é de que alguns representantes republicanos votariam contra essa medida justamente pelo efeito negativo e impopular que está tendo.” Caso não haja mudança no cenário político, ele considera difícil a renovação automática da tarifa após o prazo inicial.
Apesar das tensões, Barral não vê isolamento completo dos Estados Unidos, mas reconhece um esforço crescente de diversificação comercial por parte de outros países. “Isolamento é um pouco forte porque a economia americana é muito grande para ser ignorada”, ponderou. No entanto, ele observa avanço em acordos bilaterais e regionais como estratégia para reduzir dependência e ampliar previsibilidade nas relações comerciais.
Opinião
O cenário econômico atual exige cautela e uma análise detalhada dos impactos das tarifas sobre o comércio internacional, especialmente para o Brasil.
