Economia

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump; empresas brasileiras reagem

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço de Trump; empresas brasileiras reagem

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte central do tarifaço de Donald Trump, reacendendo o debate sobre as empresas brasileiras listadas na B3 que podem se beneficiar da redução de barreiras comerciais com os EUA. No entanto, a decisão trouxe uma nova camada de incerteza, já que Trump anunciou uma tarifa global provisória que foi elevada para 15% com efeito imediato.

Impacto nas Empresas Brasileiras

Analistas consultados indicam que a WEG (WEGE3) é uma das empresas mais afetadas, devido à sua significativa exposição à América do Norte e à venda de bens de maior valor agregado. O CEO da MA7 Negócios, André Matos, afirma que o impacto será gradual, inicialmente refletindo na receita e volume, e posteriormente nas margens.

A Embraer (EMBR3) também é destacada, atuando em uma cadeia sensível a tarifas, com contratos e serviços nos EUA. O sócio-fundador do Hub do Investidor, Jayme Simão, ressalta que a previsibilidade é crucial para a empresa, que planeja um investimento de US$ 70 milhões para ampliar sua capacidade no Texas.

Outra companhia mencionada é a Tupy (TUPY3), que se beneficia de ganhos de escala e volume, com a América do Norte representando 36% das receitas no segundo trimestre do ano passado.

Setor de Commodities e Exportadoras

No setor de exportadoras, a Klabin (KLBN11) reportou 35% da receita líquida no mercado externo e pode se beneficiar de uma alocação mais eficiente de volumes. Já a Suzano (SUZB3) deve ver ganhos mais relacionados ao volume e geração de caixa do que à margem.

Entre os frigoríficos, Minerva (BEEF3) pode oferecer dividendos adicionais aos acionistas, beneficiando-se de um cenário favorável que impacta receita e margem.

Perspectivas para a Petrobras

A Petrobras (PETR4) deve focar em volume e geração de caixa, ao invés de margens, considerando o contexto de exportação de óleo e a dinâmica do mercado doméstico.

Reação do Mercado

Os analistas concordam que o mercado tende a reagir rapidamente às mudanças de cenário, com a expectativa de que a precificação inicial ocorra antes de melhorias nos dividendos. Contudo, a elevação da tarifa pode reduzir o alívio competitivo, especialmente para cadeias sensíveis a preços e ciclos.

Opinião

A decisão da Suprema Corte dos EUA traz um misto de alívio e incerteza para as empresas brasileiras, que agora precisam navegar em um cenário mais complexo de tarifas e comércio internacional.