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Museu da Chácara do Céu: Roubo de obras de arte prescreve após 20 anos de impunidade

Museu da Chácara do Céu: Roubo de obras de arte prescreve após 20 anos de impunidade

Sexta-feira de Carnaval, 24 de fevereiro de 2006. Enquanto o Rio de Janeiro vibrava com os sons do Bloco das Carmelitas, um grupo de homens realizava um dos maiores roubos de obras de arte do Brasil e do mundo. Eles invadiram o Museu da Chácara do Céu e levaram cinco obras de mestres como Claude Monet, Salvador Dalí, Pablo Picasso e Henri Matisse, avaliadas em mais de US$ 10 milhões.

O Crime e os Suspeitos

Os ladrões, que pularam os muros do museu, deixaram nove pessoas reféns durante o assalto. Desde então, o crime, que prescreve 20 anos após o ocorrido, se tornou um caso emblemático de desinteresse institucional. Entre os principais suspeitos estão Paulo Gessé, Michel Cohen e Patrice Rouge. Gessé foi inicialmente investigado, mas não houve provas suficientes para incriminá-lo. Cohen, um negociador francês, foi acusado de fraudes nos EUA e desapareceu por anos, reaparecendo apenas em um documentário em 2019. Rouge, também francês, nega envolvimento e afirma que sua reputação foi prejudicada por denúncias anônimas.

A Investigação e o Descaso

A jornalista Cristina Tardáguila publicou um livro em 2015, intitulado A Arte do Descaso, onde critica a falta de ação das autoridades para resolver o caso. Segundo ela, a primeira patrulha da Polícia Militar chegou ao museu meia hora após o roubo, e a Polícia Federal não conseguiu preservar as provas devido ao fluxo de pessoas no local. Além disso, o inquérito policial foi perdido e só foi encontrado anos depois, o que exemplifica a falência na proteção dos bens culturais no Brasil.

Opinião

O roubo no Museu da Chácara do Céu não apenas expõe a fragilidade da segurança cultural no Brasil, mas também revela a necessidade urgente de um sistema mais eficaz para proteger e recuperar obras de arte valiosas.