Os principais mercados financeiros globais fecharam em forte trajetória ascendente nesta sexta-feira (20), impulsionados pela decisão histórica da Suprema Corte norte-americana de invalidar as tarifas comerciais unilaterais da Casa Branca. O veredito, que limita os poderes presidenciais sobre o comércio externo, desencadeou uma onda de otimismo que atravessou as Américas, com investidores reagindo à redução do risco sistêmico e à maior previsibilidade institucional.
A queda das barreiras alfandegárias foi lida como um afrouxamento nas tensões inflacionárias, favorecendo especialmente os índices de ações em detrimento da segurança dos títulos públicos. O Ibovespa B3 fechou acima dos 190 mil pontos, renovando recorde após a decisão da Suprema Corte dos EUA.
Impactos nos Mercados
A decisão liderada por John Roberts trouxe um fôlego renovado para Wall Street, mas o impacto foi ainda mais pronunciado nos centros financeiros emergentes. De acordo com Filipe Ferreira, professor do Insper e sócio da CTW Consultoria, a alta reflete uma mudança na percepção de segurança jurídica global. “Quando a Suprema Corte derruba a tarifa, isso é uma sinalização de segurança maior”, explica o especialista.
Ferreira observa que, com a redução do “arbitrário” nas decisões de Trump, o mercado passou por uma recalibração de ativos, provocando uma migração de capital dos Estados Unidos para outras bolsas que agora oferecem um risco relativo atraente.
Desempenho das Bolsas
Um levantamento da Economatica para o Times Brasil mostra o desempenho das bolsas ao redor do mundo em dia de pregão histórico:
S&P Merval (Argentina): retorno no dia de 1,20%; retorno semanal de 2,03%.
Ibovespa B3 (Brasil): retorno no dia de 1,06%; retorno semanal de 2,18%.
Nasdaq Composite (Estados Unidos): retorno no dia de 0,90%; retorno semanal de 1,51%.
IPyC (México): retorno no dia de 0,83%; retorno semanal de -0,06%.
S&P 500 (Estados Unidos): retorno no dia de 0,69%; retorno semanal de 1,07%.
Dow Jones (Estados Unidos): retorno no dia de 0,47%; retorno semanal de 0,25%.
Ipsa (Chile): retorno no dia de 0,43%; retorno semanal de -0,39%.
MSCI Nuam Peru General (Peru): retorno no dia de 0,13%; retorno semanal de 2,04%.
Expectativas Futuras
O economista Alex André, Head de corporate access da MZ Group, destaca que a medida remove o viés político protecionista que pesava sobre as exportações nacionais. “Brasil acaba ganhando competitividade, assim como foi comentado pelo Ministério competente”, afirma André.
Ele aponta que empresas ligadas ao agronegócio e ao setor industrial, como a Taurus (TASA4), viram suas teses de investimento fortalecidas pela proteção das receitas externas, aliviando a pressão sobre as margens operacionais.
Apesar da alta generalizada, o mercado permanece atento aos próximos passos da estratégia econômica americana. Estima-se que as tarifas derrubadas poderiam render entre US$ 200 bilhões e US$ 289 bilhões em 2025, e a perda desse faturamento coloca em xeque a sustentabilidade das contas públicas nos EUA.
Contudo, para o investidor local, a perspectiva de queda na inflação americana abre caminho para cortes na Selic, possivelmente de 50 pontos-base em março. Esse cenário de juros mais baixos e comércio previsível sustenta a propensão ao investimento em ações, mantendo os ativos brasileiros em patamares recordes.
Opinião
A decisão da Suprema Corte dos EUA representa um marco importante para o comércio global e pode redefinir as dinâmicas de investimento na América Latina.
