Economia

Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno e FGC deve devolver R$ 51,8 bi

Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno e FGC deve devolver R$ 51,8 bi

A decisão do Banco Central (BC) de decretar, em 18 de fevereiro, a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, antigo Voiter, e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Intercap DTVM, ampliou para R$ 51,8 bilhões o volume de recursos que deverão ser devolvidos a investidores pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) quando somadas ao conjunto de instituições ligadas ao caso Master.

Esse total resulta da soma de três frentes. A maior parcela vem do Banco Master, com R$ 40,6 bilhões. Em seguida aparece o Will Bank, com valor estimado em R$ 6,3 bilhões. Já o Banco Pleno responde por outros R$ 4,9 bilhões, conforme os números divulgados pelo próprio fundo.

No caso do Pleno, o FGC calcula uma base aproximada de 160 mil clientes com aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) cobertos pela garantia. Parte desse montante deverá ser compensada com recursos do patrimônio pessoal do controlador, Augusto Ferreira Lima, estimado em cerca de R$ 1 bilhão.

A liquidação e suas consequências

A liquidação do Pleno se soma a uma sequência recente de medidas adotadas pelo regulador e marca o quinto caso de liquidação extrajudicial em apenas três meses. Desde novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação do Master, da Reag, da Advanced Corretora de Câmbio, do Will Bank e, agora, do Banco Pleno.

Os dados mais recentes disponíveis na base do BC, referentes a setembro de 2025, mostram que o Pleno registrava R$ 7,6 bilhões em ativos, patrimônio líquido de R$ 787,7 milhões e lucro líquido de R$ 29,7 milhões. O passivo somava R$ 7,6 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões em depósitos a prazo, em sua maioria CDBs.

A liquidação extrajudicial representa o encerramento definitivo das atividades da instituição. A partir da medida, o banco interrompe a operação, perde seus administradores e passa a funcionar sob a condução de um liquidante nomeado pelo BC.

Devolução de recursos pelo FGC

Enquanto o processo avança, o FGC acelera a devolução dos recursos aos investidores ligados ao conglomerado Master. Até as 10h do dia 18 de fevereiro, o fundo havia liberado R$ 37,2 bilhões, o equivalente a 92% do total previsto. Aproximadamente 653 mil pessoas já receberam os valores, o que corresponde a 84% dos credores.

Atualmente, clientes pessoas físicas do Banco Master, do Banco Master de Investimento e do Letsbank realizam o recebimento diretamente pelo aplicativo do FGC. No caso do Will Bank, o fundo estima o pagamento de R$ 6,3 bilhões em garantias.

Opinião

A liquidação do Banco Pleno e o impacto no FGC são um sinal claro da fragilidade do sistema financeiro e da necessidade de maior vigilância e transparência nas instituições bancárias.